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Ônibus chinês elétrico que será feito no Ceará roda sem fazer barulho

TEVX Motor Group, dona da marca Higer, está de olho nas licitações de transporte público

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São Paulo

As barras amarelas e os bancos forrados de tecido azul do ônibus Higer A12BR Azure são iguais aos vistos em veículos do tipo que circulam por cidades brasileiras. A diferença está no que vai sob as chapas de aço da carroceria. Em vez de movido a diesel, o modelo chinês é elétrico.

Não é o primeiro dessa categoria no Brasil, mas a ambição é se tornar o mais comum. A fabricante assinou nesta quinta (14) um protocolo de intenções para construir sua fábrica no Ceará.

Ônibus urbano Higer Azure A12BR - Divulgação

As conversas tiveram início em abril, e o objetivo é instalar a linha de montagem no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, localizado entre os municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante (a 60 quilômetros de Fortaleza). A montadora estima que serão gerados 500 empregos diretos na região, com início da produção previsto para 2024.

A TEVX Motor Group, dona da marca Higer, está de olho nas licitações de transporte público que exigem o uso de ônibus elétricos Brasil afora. A expectativa é produzir 700 unidades por ano a partir de 2025.

Trata-se, na verdade, de um grande quebra-cabeça. Os veículos virão da China no sistema SKD (Semi Knock Down), que significa que os ônibus vêm parcialmente montados para o Brasil. O método possibilita a redução do imposto de importação.

A empresa já traz unidades prontas para o Brasil e afirma ter capacidade para importar mil veículos ainda em 2022. A produção na China é de 35 mil unidades por ano, segundo Marcello Barella, diretor de vendas da Higer na América Latina.

Alguns componentes poderão ser fornecidos por empresas instaladas no Brasil, como o sistema de freios da ZF/Wabco, as rodas da Alcoa e os pneus da Michelin.

O modelo Higer Azure A12BR tem 12 metros de comprimento e autonomia para rodar 270 quilômetros. As baterias somam 385 kWh de capacidade –em comparação, o conjunto que equipa a versão elétrica do Renault Kwid tem 26,8 kWh.

O ônibus chinês é equipado com ar-condicionado, 35 pontos de recarga USB, monitores de TV e janelas bem grandes. O assoalho baixo facilita a entrada e a saída, e há capacidade homologada para 70 passageiros. Em peso, o ônibus pode transportar 19 toneladas.

Além de não soltar fumaça, o ônibus elétrico roda em silêncio. É possível emitir sinais sonoros nas manobras para alertar pedestres e motoristas de outros carros que estejam ao redor.

Os freios regenerativos permitem recuperar energia, o que faz o Azure ser mais econômico no trânsito pesado do que em rodovias. A carga completa em tomada rápida demora cerca de duas horas e meia, segundo a fabricante.

Outra opção disponível será o modelo para fretamento, mais luxuoso. É o mesmo ônibus que fará o transporte de espectadores na Copa do Mundo do Catar, em novembro. A Higer vai levar 1.815 veículos para o evento.

Uma unidade idêntica às que serão usadas no campeonato foi avaliada em um espaço fechado, no estacionamento do Jockey Club de São Paulo (zona oeste).

O banco do motorista desce suavemente após se sentar. O sistema pneumático filtra as imperfeições do solo e torna o trabalho menos cansativo.

A partida ocorre sem nenhum barulho, e só se sabe que o motor está ligado por meio das luzes que acendem no painel.

Antes de colocar o ônibus em movimento, é preciso soltar o freio de estacionamento. Uma alavanca à esquerda libera o sistema, e depois basta girar a haste que aciona o câmbio automático e acelerar.

O instrutor Fabrício de Souza, que conhece em detalhes o funcionamento dos modelos da Higer, explica que a calibração permite rodar sem trancos. Mesmo que o condutor pise fundo, o veículo ganha velocidade lentamente, sem os rompantes dos automóveis pequenos movidos a eletricidade.

Mas se for escolhido o modo de regeneração máxima da energia por meio da frenagem, o ônibus pode frear bruscamente a cada vez que o motorista tira o pé do acelerador. Esse ajuste fino será realizado no Brasil, para melhorar o conforto a bordo.

Na hora de fazer a curva no retorno apertado do jockey, é possível ver o olhar apreensivo do instrutor. Ele orienta a aproveitar bem o espaço e ter cuidado com o eixo traseiro, para que não passe por cima do canteiro.

É preciso controlar as distâncias pelos espelhos e fazer a manobra devagar, sem tirar os olhos das árvores –um esbarrão nos galhos pode destruir o para-brisa.

Após uma volta, nota-se o quanto a direção é leve e como o logotipo da Higer no volante se parece com o da sul-coreana Hyundai. Faz sentido: apesar do tamanho, o ônibus elétrico roda com a suavidade de um utilitário esportivo de luxo.

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