Descrição de chapéu Consumo Consciente

Startup produz bolsas a partir de retalhos de couro descartados

Marca economiza 30% do custo de material e treina refugiadas como costureiras

S√£o Paulo

Com retalhos de couro da ind√ļstria cal√ßadista e de vestu√°rio no Rio Grande do Sul, a designer Fernanda Daudt, 44, faz bolsas, economizando 30% do custo de material, e vende entre 100 e 200 unidades por m√™s, em mais de 15 lojas nos Estados Unidos e Porto Rico. No Brasil, sua cole√ß√£o, com 15 modelos, est√° na Amazon.

Há uma semana, a produção da sua empresa, a Volta, foi selecionada pelo Green Product Award 2019, na Alemanha, que destaca produtos e serviços inovadores e sustentáveis. Não ganhou a premiação, mas foi exposta numa grande feira internacional de produtos artesanais, em Munique.

As bolsas da Volta s√£o assinadas com os nomes de suas produtoras: Maude Jules, costureira chefe, e Arture Leveille. ‚ÄúUma forma de valorizar o trabalho manual, artesanal‚ÄĚ, diz Fernanda.

Elas são haitianas refugiadas no Brasil, em Caxias do Sul. Contratadas pela Volta, recebem em suas casas o couro cortado em um ateliê em São Leopoldo, nos moldes desenhados por Fernanda, e os materiais necessários para montar e costurar as bolsas.

H√° oito meses morando nos Estados Unidos, Fernanda investiu menos de R$ 100 mil para abrir a startup Volta, em agosto de 2017, que tem como objetivo fabricar acess√≥rios utilizando 100% de couro descartado pela ind√ļstria.

‚ÄúO setor do couro desperdi√ßa entre 8% e 30% do material. Hoje, usamos res√≠duos da ind√ļstria coureiro-cal√ßadista do Rio Grande do Sul, que s√£o sobras de produ√ß√Ķes ou cole√ß√Ķes, couros em cores e  texturas fora da cartela de cor vigente, e geralmente em peda√ßos pequenos‚ÄĚ, diz Fernanda.

O uso de retalhos traz economia de 30% no custo de material, segundo Fernanda, o que é uma boa vantagem para o negócio.

Depois de tentar viabilizar, sem sucesso, ‚Äúpor causa da burocracia‚ÄĚ, a costura de suas pe√ßas com m√£o de obra das detentas de Caxias, Fernanda procurou o Centro de Atendimento ao Migrante da cidade, uma ONG que presta assist√™ncia aos refugiados. L√° encontrou v√°rias mulheres precisando de trabalho. ‚ÄúOs homens s√£o mais facilmente absorvidos pela economia da cidade‚ÄĚ, diz Fernanda.

Ofereceu ent√£o treinamento para um grupo de mulheres. ‚ÄúAs que foram mostrando familiaridade com o trabalho manual foram ficando para encontros semanais. Seis delas fizeram o treinamento completo.‚ÄĚ

Depois do treinamento de seis semanas, empregou Arture e Maude. Elas recebem entre R$ 35 e R$ 40 por bolsa costurada, na entrega. A cada remessa, lucram entre R$ 1.500 e R$ 2.000. As bolsas de couro são vendidas por preços que vão de US$ 60 a US$ 125 (de R$ 227 a R$ 474) no atacado.

Maude, 33, veio do Haiti para o Brasil há cinco anos. Foi para Caxias porque já havia familiares na cidade. Trabalhou antes numa empresa de chocolates e numa organização que auxilia a documentação para imigrantes.

Ela vive em uma casa com dois filhos, de 16 e 9 anos, e uma prima deles, de 23 anos.  O trabalho com as bolsas, diz, √© mais vantajoso, porque ganha por produto entregue e trabalha em casa. Arture tamb√©m chegou h√° cinco anos. Tem um filho brasileiro e vive com o marido em Caxias.

A Volta tem apoio da Apex. Fernanda Daudt apresentou a experi√™ncia da empresa no 3¬ļ Global Creative Industries Conference, na Universidade de Hong Kong, em 2015, e participou, em fevereiro de 2019, de semin√°rio na sede da ONU, de Nova York.

Desde o final de 2017, a Volta faz parte de um coletivo de novos designers Flying Solo, em Nova York, que faz parte do calend√°rio oficial da semana de moda da cidade.

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