Violência e desordem marcam Carnaval do Rio; três PMs são mortos

Segundo a PM, 17 mil homens atuaram no período, 43% mais que no ano passado

Nicola Pamplona

Apesar do anunciado aumento no efetivo policial, o Carnaval do Rio foi marcado por episódios de violência e desordem. Arrastões geraram pânico em turistas e moradores da zona sul e houve muitos relatos de roubos e furtos.

Apenas nesta terça (13), dois policiais foram mortos na cidade, elevando para três o número de vítimas na corporação durante o Carnaval.

No início da manhã, o soldado André Luiz Xavier Barbosa, 33, foi atropelado enquanto fazia o patrulhamento de moto no Jardim Botânico, zona sul.

No fim da manhã, o sargento Fábio Miranda da Silva, 41, levou três tiros. Ele chegou a ser levado ao Hospital Municipal Salgado Filho, mas não resistiu. Ele estava de folga e a polícia suspeita que tenha reagido a um assalto.

Se confirmada a suspeita, seria o segundo caso durante o Carnaval: na noite de sábado, o soldado Dejair Jardim do Nascimento, 29, também morreu ao reagir a um assalto em São Gonçalo, na região metropolitana.

Nesta terça, após uma série de arrastões em Ipanema, a Polícia Militar reforçou sua presença na orla da zona sul da cidade, deslocando homens de três unidades especiais para o patrulhamento ostensivo.

Desde sábado (10), houve relatos de arrastões na região, com episódios de espancamento de vítimas. Na noite de domingo (11), dois policiais foram baleados ao tentar impedir o roubo de um carro na avenida Afrânio de Melo Franco, uma das mais movimentadas do Leblon.

O reforço no patrulhamento contou com o apoio de um helicóptero e resultou na prisão, na madrugada de terça, de um menor acusado de furtos.

Mas não conseguiu evitar a tentativa de saque a um supermercado da rede Pão de Açúcar, no Leblon. Os saqueadores aproveitaram o momento de abertura da loja para roubar bebidas.

Segundo o supermercado, houve "princípio de tumulto" em sua unidade no bairro, mas "a situação foi contornada e ninguém ficou ferido". A polícia disse que foi acionada, mas os suspeitos fugiram.

No centro da cidade a polícia prendeu um grupo de 10 homens fantasiados de "bate-bola", uma tradição no subúrbio do Rio, armados com uma pistola e uma granada. Com eles, foram encontrados celulares, carteiras e relógios roubados.

17 MIL HOMENS

A Polícia Militar informou que o efetivo do Carnaval era de 17 mil homens, 43% maior do que o destacado no ano passado. Ainda assim, forma muitos os relatos de roubos com o emprego de violência.

No início da manhã de terça homem teve a mochila roubada ao chegar em casa em Botafogo, zona sul, ao lado do batalhão da polícia no bairro. Antes de fugirem, os ladrões agrediram a vítima.

Na manhã de domingo, um caminhão com equipamentos da banda Capital Inicial foi atacado por bandidos armados na avenida Brasil, uma das principais vias de acesso à cidade.

Segundo relatos do vocalista, Dinho Ouro Preto, a carga só não foi roubada porque era muito pesada para os ladrões. "Pararam nosso caminhão e apontaram uma arma para o nosso motorista", disse ele.

"Levaram o caminhão para um local onde entraram no baú armados com fuzis. Viram que não dava para levar o equipamento porque era muito pesado, então assaltaram o motorista e liberaram a carga."

A prefeitura estima que cerca de 6,5 milhões de pessoas tenham saído às ruas o Carnaval no Rio este ano. Apesar disso, nem o governador Luiz Fernando Pezão (MDB), nem o prefeito Marcelo Crivella (PRB) estão na cidade.

Pezão passou o Carnaval em Piraí e Crivella viajou para a Europa.

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