Sem prazos e orçamento, Covas lança projeto de expansão de ciclovias

Ciclistas temem retirada de ciclovias já existentes ou previstas em plano vigente

Fabrício Lobel
São Paulo

A gestão Bruno Covas (PSDB) apresentou nesta sexta-feira (3) a proposta de um novo plano cicloviário na cidade de São Paulo. A proposta prevê a implantação de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas e o aumento do número de ciclistas na cidade, mas ainda não tem orçamento ou cronograma previsto. 

A Prefeitura de São Paulo disse que para definir o cronograma e orçamento, será preciso ainda debater a proposta apresentada com a comissão municipal de transporte e as prefeituras regionais. "Não se trata de um plano. Se trata de uma proposta de um plano (...) somente ao final, teremos um plano quem sabe que resulte num decreto ou portaria", disse o prefeito Bruno Covas.

De 2017 a junho de 2018, a prefeitura não gastou nenhum real dos R$ 34 milhões previstos para obras e manutenção das ciclovias na cidade. Segundo a prefeitura, esses custeios e investimentos não poderiam ser feitos antes que um novo plano cicloviário indicasse quais são as prioridades para a cidade, o que deve começar a ser definido agora.

A prefeitura prevê R$ 38,9 milhões para o setor até 2020, mas ainda não garante quantos quilômetros serão entregues até o final da gestão. 

Uma dúvida que ainda permanece é quanto a nova proposta manterá do já existente plano cicloviário da cidade, que faz parte do Planmob (Plano Municipal de Mobilidade), firmado por decreto municipal em 2015, na gestão Fernando Haddad (PT).

Durante a apresentação, Covas ironizou o antigo plano de ciclovias. "A gestão anterior construiu ciclovias como se joga orégano em pizza, salpicando pela cidade. A administração [atual] precisaria de um plano de expansão que desse racionalidade ao sistema.

O secretário municipal de transporte e mobilidade João Octaviano Machado Neto disse que o novo projeto usou o Planmob como base, mas não garantiu que as ciclovias e ciclofaixas já conjstruídas ou planejadas avançarão. 

"Hoje já se tem um outro aprendizado do uso da bicicleta, um sem número de conflitos que surgiram pela falta de planejamento. A cidade cresce e nós precisamos aprender com as modificações da cidade", disse. João Octaviano, porém, disse que será mantida a meta de chegar a 1.917 quilômetros de vias com infraestrutura para bicicletas (entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas).

Aline Cavalcante, diretora da Ciclocidade (associação dos ciclistas urbanos de São Paulo) teme que um novo projeto de ciclovias para a cidade apague vias já construídas ou planejadas. "Não há garantia nenhuma de que as vias que já foram planejadas vão sair do papel. Nosso compromisso agora é não deixar que nenhuma estrutura seja retirada sem que uma via substituta viável seja construída", argumenta. 

Ao menos na apresentação feita pela prefeitura, está prevista a substituição de uma ciclofaixa por uma ciclorrota na avenida Lopes de Azevedo, na zona oeste. O que é hoje uma faixa exclusiva para bicicletas, com pintura exclusiva e separação dos outros veículos por tachões, deverá ser substituído por sinalizações no asfalto que indicarão a presença de ciclistas na via. 

Além disso, a proposta apresentada por Covas indica a criação de dois anéis viários que deverão conectar as ciclovias pela cidade. O primeiro circunda basicamente o centro antigo da cidade. Já o segundo, mais amplo, circunda a área onde funciona o rodízio para carros na cidade, contemplando parte das marginais Tietê e Pinheiros, além das avenidas Bandeirantes, Tancredo Neves e Salim Farah Maluf. 

De maneira radial, do centro da cidade para os bairros, a prefeitura propõe fazer cinco vias principais de deslocamento de bicicletas. 

A ideia também foi mal recebida por ativistas ciclistas. "Não sei de onde tiraram essa ideia. É uma lógica rodoviarista, não é de quem utiliza a própria energia para se locomover. Será que os técnicos que estão legitimando essa proposta pedalam ou entendem a lógica de quem anda de bicicleta?", questiona Aline Cavalcante.

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