PM usa arma para empurrar aluna durante protesto em escola de Guarulhos

Jovem de 17 anos tentava sair do tumulto pelo portão bloqueado por policiais quando foi agredida

Thaiza Pauluze Ricardo Hiar
São Paulo

Um policial militar empurrou com o cano da arma uma aluna da escola estadual Frederico de Barros Brotero, em Guarulhos, na Grande São Paulo. A PM havia sido chamada para acabar com o protesto dos estudantes na noite desta quinta-feira (4). Eles cobravam melhorias na unidade de ensino. 

Policial militar usa cano da arma para empurrar aluna que protestava em escola
Policial militar usa cano da arma para empurrar aluna que protestava em escola - Reprodução

Um vídeo mostra o momento em que quatro policiais entram no pátio do colégio e fazem uma espécie de cordão de isolamento em frente ao portão de acesso.

A estudante do terceiro ano do ensino médio, Eduarda Sória, 17, então tenta passar pela área bloqueada pelos agentes, na tentativa de sair do tumulto. Ela é empurrada por um dos PMs duas vezes. Outras pessoas gritam e tentam intervir. Um homem se coloca entre a jovem e o policial, que mantém a arma apontada para os alunos no pátio.

"Na hora só fiquei com muito medo. Eu não sei se a arma era de verdade ou de bala de borracha, mas ele é homem, é mais forte que eu, o empurrão me machucou. Eu nunca tinha passado por isso antes", diz Eduarda, mostrando a marca da agressão.

Segundo os estudantes, o protesto tinha como objetivo a destituição do atual diretor, José Maria, acusado de negligenciar as cobranças por melhorias no colégio

Eles afirmam que a escola não recebe manutenção de infraestrutura adequada, e que as salas de aula, os corredores e os banheiros ficam alagados quando chove. Também falta material escolar e assistência aos alunos, que já haviam feito um abaixo-assinado, sem sucesso.

Os estudantes também reclamam que a direção resolveu proibir a entrada deles após o início das aulas, às 19h, sem minutos de tolerância. Eles dizem que nem sempre conseguem chegar a tempo, porque muitos trabalham e vão direto para a escola.

Foram organizados protestos nos períodos da manhã, tarde e noite. A direção teria acionado a polícia por volta de 19h30 desta quinta.

"A gente estava sentado no pátio esperando o diretor falar alguma coisa, mas ele ficou revoltado que os alunos não queriam subir para a aula e chamou a polícia. Não teve vandalismo, pichação, nada", conta Eduarda, que também afirma que os policiais agrediram quatro garotos do lado de fora do colégio.

Dois adolescentes de 16 anos foram apreendidos pela polícia e levados para a delegacia, segundo a corporação, por ameaça e tentativa de agressão ao diretor. Eles serão encaminhados à Vara da Infância e Juventude.  ​

No fim da tarde desta sexta (5), o governador João Doria (PSDB) determinou o afastamento do policial que empurrou a estudante. O nome do agente não foi divulgado.  

Para Ariel de Castro Alves, advogado e membro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana), a ação do PM pode ser enquadrada como abuso de autoridade.

"É a violação do direito de reunião dos estudantes e da integridade e incolumidade de alguns deles. São policiais despreparados apontando armas e agredindo estudantes", afirma. "Reivindicações e questões educacionais não podem ser tratadas como caso de polícia."

Os alunos devem realizar novos protestos no pátio do colégio nesta sexta, para pedir mais uma vez a renúncia do diretor da unidade.

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