Em evento, Joana Félix diz que não deixará mídia matar seu trabalho

Pesquisadora falou sobre polêmicas em feira de educação realizada nesta sexta (17) em São Paulo

Júlia Zaremba
São Paulo

Em palestra esvaziada nesta sexta (17) em São Paulo, a pesquisadora Joana D'Arc Félix de Sousa pediu desculpas "pelo transtorno" que causou e afirmou que não pode deixar "a mídia matar" o trabalho que faz.

Félix está envolvida em polêmicas após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelar que ela não tinha um diploma de pós-doutorado de Harvard, como constava em seu currículo Lattes. Reportagem da Folha mostrou também que ela foi condenada em 2013 por não prestar contas à Fapesp. 

"Não quero, pelo amor de Deus, deixar a mídia matar esse tipo de trabalho aqui", afirmou, referindo-se aos projetos que realiza com alunos de uma escola em Franca (interior de SP). 

"Todo mundo metendo a boca, mas quem está tirando o jovem do tráfico? Estou dando minha contribuição."

Félix foi uma das palestrantes da feira de educação e tecnologia Bett Brasil. O site do evento dizia que todas as vagas para a apresentação, intitulada O Papel da Educação Científica na Construção do Conhecimento e de uma Sociedade Mais Igualitária, estavam esgotadas —o auditório tem 750 lugares.

Mas apenas cerca de 50 pessoas a assistiram. Segundo uma organizadora do evento, as palestras anteriores também tiveram baixo quórum —a de Félix foi a última do dia no local. 

Pesquisadora Joana D'Arc Félix de Sousa dá palestra na feira Bett Educar, em São Paulo
Pesquisadora Joana D'Arc Félix de Sousa dá palestra na feira Bett Educar, em São Paulo - Gabriel Cabral/Folhapress

A pesquisadora abriu a apresentação com um slide pedindo desculpas. E completou: "Jamais busquei notoriedade por vaidade pessoal. Minha luta é em prol da EDUCAÇÃO e dos DESVALIDOS."

Ela afirma que seus projetos, como o curso que ensina técnicas de curtimento, ajudam a diminuir a evasão escolar e a tirar jovens do tráfico e da prostituição. 

Durante cerca de 50 minutos, falou sobre os projetos que realiza com os alunos da escola em Franca e mostrou fotos de prêmios que teria recebido pelos trabalhos —108, segundo ela.

Na hora das perguntas da plateia, uma professora disse que não sabia muito bem o que estava acontecendo e desejou "coragem" a Félix. Outra disse que a química é uma inspiração para ela. 

Em breve conversa com jornalistas ao fim do evento, disse que tem 55 anos. Para comprovar, mostrou a foto da sua identidade na tela do celular, onde consta que nasceu em 22 de outubro de 1963. 

A idade também é alvo de polêmicas —afirmou que tinha 48 à Folha em 2018, 55 ao Estado e 39 em uma entrevista e em redes sociais.

A pesquisadora Joana Félix dá entrevista após palestra na feira Bett Educar
A pesquisadora Joana Félix dá entrevista após palestra na feira Bett Educar - Gabriel Cabral/Folhapress

Voltou a dizer que o certificado de pós-doutorado fora criado para uma encenação de alunos, e que fazer um "diploma de mentira" foi um erro. Ela alega que, na ocasião, informou ao jornalista do jornal O Estado de S. Paulo sobre o erro. 

Afirma que fez orientação à distância com um professor de Harvard e que foi convidada a estudar na instituição. Mas não tem registro de nada, segundo ela. "Não fui aluna efetiva, não. Então digamos que não fiz [o pós-doutorado]. Fiz orientação à distância. Se isso não é válido, quer dizer que não fiz."

Sobre a prestação de contas à Fapesp, afirmou que "precisa ver as inconsistências", que não foi notificada sobre isso e que vai ver a questão na próxima semana. 

A pesquisadora disse ainda que decidiu desativar suas redes sociais por orientação do advogado, após sofrer ataques e ameaças. "Muita coisa, assim, bem forte", segundo ela, sem especificar.

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