Descrição de chapéu Obituário Paula Puliti (1964 - 2019)

Mortes: Com dia com mais horas que o normal, tirou da vida o que pôde

Jornalista, Paula Puliti escreveu livro sobre cobertura de economia na imprensa

Thiago Amâncio
São Paulo

Parecia que o dia de Paula Puliti tinha mais horas que o normal, decifra a amiga Gislene Silva. "Fazia jornalismo, natação, mestrado, dançava, namorava, viajava. Tirou da vida tudo o que pôde tirar."

Repórter e editora de economia da Agência Estado por duas décadas, Paula começou a carreira no periódico local Gazeta de Pinheiros, de São Paulo, nos anos 1980.

Jovem, cobriu também educação e saúde, época em que trabalhou na revista Saúde, da editora Abril, e nesta Folha —dessa fase, levou consigo por toda a vida o cuidado pela alimentação saudável, afirma Gislene.

Paula Puliti (1964-2019)
Paula Puliti (1964-2019) - Arquivo pessoal

Apaixonada por história, chegou a fazer graduação na área na USP, mas abandonou. Nos anos 1990, fez mestrado em História Internacional na London School of Economics and Political Science, na Inglaterra. 

Tinha especial apreço por viagens a lugares históricos, como Egito e Grécia, mas não deixava de conhecer a história dos lugares mais triviais.

O doutorado que fez na USP depois virou livro em 2013, "O Juro da Notícia: Jornalismo Econômico Pautado pelo Mercado Financeiro", em que investiga o impacto no noticiário econômico do uso como fontes de agentes do mercado.

"Tinha uma combinação entre uma delicadeza da voz, uma doçura do olhar com uma valentia e uma força que não eram visíveis", diz Gislene, que ressalta a resiliência da amiga.

Paula adorava sol e água e vivia na praia, "é uma coisa bem intensa que ela tinha. Arrumava uma mala e ia passar 15 dias no Nordeste, sozinha".

Há anos acometida por uma doença rara, a síndrome de Von Hippel-Lindau, morreu no último dia 6, aos 55. Deixa o filho, Caio.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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