Descrição de chapéu Obituário Gilmar Sanches de Jesus (1958 - 2019)

Mortes: Pai de três filhos, alegrava as ruas de Osasco

Já foi metalúrgico, pedreiro e cortador de cana

Talita Fernandes
Osasco

Amante de samba, Gilmar vivia fazendo brincadeiras. Tinha um apelido carinhoso para todos. Onde encostava para comprar um café, um pão ou uma cerveja fazia graça e levava sorrisos.

Torcedor apaixonado do Corinthians, ganhou o nome Gilmar em homenagem ao goleiro da seleção responsável pela primeira Copa conquistada pelo Brasil, em 1958, ano de seu nascimento. Nunca dispensou uma boa pelada.

Gilmar Sanches de Jesus
Gilmar Sanches de Jesus. - Arquivo Pessoal

O maior amor que tinha, porém, eram os três filhos: Luana, Vinicius e Talita. Como não podia deixar de ser, cada um ganhou seu apelido: o menino logo virou Baiano, os cabelos claros de Luana lhe transformaram em Galega e Talita passou a ser a Pretinha. 

Assim os chamou pelo resto da vida, sem nunca ter medido esforços nem atenção, mesmo quando foram morar longe. Para Gilmar, a visita de um filho nunca era só uma visita. Era um grande encontro. 
Adorava as crianças, os sobrinhos, os filhos dos sobrinhos, que sempre vão lembrar do brincalhão “tio Gilmar”.

Gostava de estar informado e buscava entender a razão das coisas, uma inquietação que passou como herança.

Desde cedo ensinou os três filhos a fazer pequenos consertos domésticos —uma lição, junto com o incentivo aos estudos, de que na vida é preciso ter independência.

Quando os três eram pequenos, Gilmar costumava passar na banca em Osasco e levar um jornal para casa. Pelas páginas dos diários comentava em voz alta os acontecimentos tumultuados dos anos 90 —não por acaso, esta filha se tornou jornalista.

Já Gilmar foi metalúrgico, cortador de cana, pedreiro. Mas foi na marcenaria que deu vazão à criatividade.

Ver algo quebrado ou fora de funcionamento o deixava inquieto: queria encaixar, consertar. Tinha sempre uma caixa de ferramentas à mão, à qual dedicava zelo e ciúmes se alguém os usasse. 

Por essa mania —que levou até os últimos momentos de vida, quando quis arrumar a cadeira de rodas do hospital— ganhou ele também um apelido dos filhos: “Arruma-arruma”. 

Gil, como os irmãos o chamavam, nasceu em uma família que veio de Sergipe para Osasco (SP). Farinha e xote o faziam matar a saudade dos pais que partiram há muito. 

Já ele se foi no último dia 8, de forma abrupta, após complicações de uma cirrose hepática descoberta dias antes, quando completava 61 anos.

Deixa uma saudade imensa por sua alegria e pelo samba que cantava para espantar o mal: “Deixe de lado esse baixo astral/Erga a cabeça, enfrente o mal/ que agindo assim será vital para o seu coração.”

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