Jovem invade escola no RS e ataca estudantes com machado

Alunos quebraram janela para escapar do agressor, que foi contido por professor; ex-estudante foi detido pela polícia

Paula Sperb
Porto Alegre

Um adolescente de 17 anos invadiu uma escola e atacou estudantes de 12 e 13 anos da sétima série e um professor no início da tarde desta quarta-feira (21), em Charqueadas, a 39 km de Porto Alegre. 

O episódio ocorreu no Instituto Estadual Educacional Assis Chateaubriand. Os alunos quebraram o vidro de uma janela para escapar do local. O jovem fugiu, mas foi detido pela Brigada Militar, a PM gaúcha, por volta das 16h20, segundo o vice-governador, Ranolfo Vieira. 

O jovem é um ex-aluno da escola e está sendo ouvido pela Polícia Civil, com acompanhamento do Ministério Público. Ainda não se sabe o motivo do ataque. 

O hospital da cidade atendeu pelo menos seis pessoas, quatro feridos sem gravidade e dois atendimentos por abalo psicológico, segundo Vieira. Nenhuma vítima está em estado grave. 

“Foram algumas escoriações superficiais, que ocorreram principalmente quando pularam a janela para fugir”, disse o médico Alan Carlos de Almeida Martins.

Sala do Instituto Estadual Educacional Assis Chateaubriand, em Charqueadas, na região metropolitana de Porto Alegre, onde ataque deixou ao menos seis alunos e uma professora feridos - Reprodução/Portal de Noticias

O agressor usou uma arma semelhante a um pequeno machado e ameaçou incendiar o local. Segundo o vice-governador, o jovem usava um lenço no rosto e carregava um coquetel molotov.

“Ele jogou o artefato na sala de aula e agrediu um menino de 12 anos e depois cortou outro garoto”, disse Alcindo Valente Brasil, primeiro-tenente.  

“Um professor acabou contendo a ação do indivíduo”, disse o vice-governador. “Esse professor com a ação dele pode ter evitado um ato mais grave”, acrescentou.

Além da polícia, a escola chamou os bombeiros voluntários de Charqueadas. “Fizemos os primeiros atendimentos. Nenhum ferimento foi grave, mas estavam todos muito nervosos”, contou o bombeiro Maurício Naatz.

Vinte bombeiros voluntários trabalham em uma sede provisória cedida por um morador da cidade. Eles contam com ajuda da prefeitura para manter as viaturas que usam.

“Tudo aquilo que poderá servir como prova no processo foi recolhido. Todas medidas iniciais foram tomadas”, disse o vice-governador. O jovem deixou uma mochila no local, contendo garrafas vazias e uma com substância possivelmente inflamável e um isqueiro.

Em novembro de 2018, um adolescente de 17 anos foi assassinado com golpes de canivete em frente ao mesmo colégio. Em março deste ano, a Polícia Civil prendeu um homem de 20 anos, suspeito do homicídio.

SUZANO

Em março deste ano, dois adolescentes invadiram uma escola em Suzano (grande SP), portando uma machadinha, flechas e um revólver, e mataram oito pessoas a tiros antes de se matarem.

O adolescente afirmou à Polícia Civil que se inspirou no ataque na cidade paulista.

“Durante o interrogatório, ele contou que o motivo do ataque foram desavenças com outro aluno da escola, no período de 2015. Durante esse tempo, ele ficou com raiva do ex-colega. Depois de planejar por meses, ele foi para se vingar, querendo matá-lo. Ele disse ter se inspirado em Suzano, por isso usou uma machadinha [uma das armas usadas no ataque em São Paulo]”, disse o delegado Marco Schalmes, à Folha

O delegado contou ainda que o jovem admitiu que usou sites da internet para aprender como fazer coquetel molotov. O celular do rapaz foi apreendido. O delegado irá pedir à Justiça que o adolescente cumpra medida socioeducativa e seja internado provisoriamente.

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