Sequestrador de Washington Olivetto chega ao Chile após extradição

Ex-guerrilheiro, Norambuena havia sido condenado por crimes ocorridos no país

Santiago | AFP

O chileno Mauricio Hernández Norambuena, detido no Brasil desde 2002 por participação no sequestro do publicitário Washington Olivetto, chegou ao Chile na madrugada desta terça-feira (20) após ser extraditado.

O ex-guerrilheiro, de 61 anos, desembarcou em um voo da Força Aérea Chilena e, imediatamente, foi transportado para prisão de alta segurança de Santiago, a mesma da qual fugiu de helicóptero em 1996.

Segundo o juiz Mario Carroza, Norambuena estava de bom humor e só queria descansar.

Mauricio Norambuena, um dos envolvidos no sequestro do publicitário Washington Olivetto, em sua prisão em 2002
Mauricio Norambuena, um dos envolvidos no sequestro do publicitário Washington Olivetto, em sua prisão em 2002 - Rubens Cavallari - 4.fev.2002/Folhapress

Um grupo de pessoas o aguardava com cartazes que diziam: "Brasil tortura, Chile cala".

Em sua conta no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou: "é nossa política cooperar com outros países e não dar abrigo a criminosos ou terroristas".

Norambuena foi condenado no país pelo assassinato, em 1991, do senador Jaime Guzmán, um dos ideólogos da ditadura Pinochet (1973-1990), e pelo sequestro de Cristián Edwards, um dos filhos do dono do jornal El Mercurio.

Sob a alcunha de "Comandante Ramiro", Norambuena foi líder da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), grupo armado que lutou contra o regime militar no país.

Após escapar da cadeia em 1996, foi detido em 2002 no Brasil pelo sequestro de Olivetto, ocorrido no ano anterior, pelo qual foi condenado a 30 anos de reclusão.

O STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou a extradição na época. Impôs, no entanto, uma condição: a pena de Norambuena tinha que ser comutada, de perpétua para no máximo 30 anos, seguindo as regras penais brasileiras.

O Chile nunca aceitou as condições. Mas, agora, o governo do presidente Sebastian Piñera teria se comprometido formalmente a não executar penalidades que não são previstas no Brasil, como a pena perpétua e a pena de morte.

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