Descrição de chapéu Coronavírus

Frade morto pela Covid-19 cuidava de dependentes químicos em SP

Religioso de 55 anos trabalhava em Jaci, no interior, em instituição onde 35 pessoas se infectaram

Simone Machado
São José do Rio Preto (SP)

Nascido em São Fidélis, no Rio de Janeiro, Mário Lúcio da Rocha Andrade, 55, mudou-se em janeiro deste ano para Jaci, no interior de São Paulo, para seguir uma vida de fé e ajuda ao próximo em uma comunidade católica. Na cidade de cerca de 7.000 habitantes, integrava a Fraternidade São Francisco na Providência de Deus até se tornar uma das vítimas da Covid-19.

Mário morreu na noite de segunda-feira (25), depois de 29 dias internado, a maioria intubado na UTI. Pertencia ao grupo de risco por ser diabético e cardiopata, e estava internado no Hospital de Base de São José do Rio Preto, também no interior paulista.

Homem em frente a igreja, onde ocorre uma festa
O religioso católico Mário Lúcio da Rocha Andrade, 55, que morreu vítima da Covid-19 em São José do Rio Preto (SP) - Arquivo Pessoal

Ele era postulante, como são chamados os frades que estão ainda em processo de estudo religioso. Estava no terceiro mês de sua formação religiosa e no próximo ano se tornaria frei. Foi na UTI que completou 55 anos no último dia 5, longe da família e das pessoas que ajudava.

Mário atuava em uma casa que acolhe dependentes químicos, mantida pela instituição religiosa. No local, 35 pacientes foram diagnosticados com o novo coronavírus. Essa é a segunda morte de membros da fraternidade. No dia 9 de maio Frei Bruno, 36, morreu vítima da Covid-19.

“Ele estava na linha de frente ajudando-nos a cuidar de pessoas que estavam com a doença. Muito acolhedor, tranquilo e de coração aberto para fazer o bem ao próximo. Ele se dedicava à sua missão integralmente”, diz frei Jerônimo, da instituição.

Terceiro filho de uma família de quatro irmãos, ajudou a criar e a fundar a Escola Educandário Rainha dos Apóstolos em sua cidade natal, em 1991, e lá atuou como coordenador pedagógico. Também trabalhou como coordenador do hospital do município de São Fidélis até 2019, ano em que conheceu a comunidade de Jaci por meio da internet.

​​“Ele tinha muita certeza da missão dele. Por já ser mais velho, era muito tranquilo e uma referência para todos”, diz o frei.

Entre as atividades da comunidade católica, estão a administração de uma casa de recuperação para dependentes químicos, em Jaci, e uma casa de acolhimento a pessoas em situação de rua, em São José do Rio Preto, cidade vizinha. Os dois locais apresentaram surtos da doença registrando 35 e 31 casos do novo coronavírus, respectivamente.

Devido ao alto número de casos, durante duas semanas, os locais ficaram interditados para limpeza e as pessoas atendidas foram acolhidas em outra casa. Na semana passada, os dois acolhimentos voltaram a funcionar normalmente.

Segundo a prefeitura, as únicas duas mortes confirmadas em Jaci são dos dois religiosos. São 79 casos confirmados da doença.

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