Descrição de chapéu Obituário Brunna Valin (1975 - 2020)

Mortes: Combateu o preconceito com trabalho e amor ao próximo

Brunna Valin foi uma das maiores líderes do movimento de travestis e transexuais do país

São Paulo

A expressão “se a vida te der um limão, faça dele uma limonada” nunca teve tanto sentido como na vida de Brunna Valin, uma das maiores líderes do movimento de travestis e transexuais do país.

Nasceu em Fernandópolis (553 km de SP) como Adilson José Valin. Desde criança, era diferente dos demais colegas.

Carismático, atraía um grupo grande de amigas na escola, o que incomodava os meninos da classe. Do seu jeito, o uniforme escolar e as roupas ganharam um toque feminino.

Brunna Valin (1975-2020)
Brunna Valin (1975-2020) - Arquivo pessoal

O bullying na escola e o preconceito por parte da família tornaram-se um peso em sua vida.

A irmã e melhor amiga, a técnica de enfermagem Andreia Valin, 43, conta que chegou a ficar 16 anos sem falar com o pai em defesa do irmão.

“Se meu pai não gostava dele, também não gostava de mim. A gente tinha um encontro de almas. Tudo o que as pessoas falavam ao meu irmão atingia diretamente a mim”, diz Andreia.

Com cerca de 15 anos, após levar uma surra do pai que o deixou desmaiado, foi para São José do Rio Preto (438 km de SP), onde ficou em situação de rua até ser acolhido. Conseguiu emprego no Gada (Grupo de Amparo ao Doente de Aids), onde atuou por cerca de dez anos.

Sua dedicação lhe rendeu um convite para trabalhar em ONG na capital paulista voltada ao resgate de soropositivos em situação de rua e de pessoas que sofreram preconceito.

Adilson adotou nome de Brunna Valin. Ela mudou de vida, formou-se em sociologia e ganhou notoriedade no trabalho. Figura importante e persuasiva na militância LGBTI, Brunna era
combativa e corajosa.
“Brunna chegava facilmente ao coração das pessoas. Foi um exemplo de ser humano, amor ao próximo, bondade e empatia”, afirma Andreia.
Há cinco anos, Brunna Valin venceu um linfoma não-Hodgkin. O câncer voltou e atingiu o reto, a coluna e o fígado. Ela morreu dia 1º de junho, aos 45 anos. Deixa a mãe e sete irmãos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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