Descrição de chapéu Coronavírus

SP chega a 3.000 policiais afastados por suspeita de contaminação por Covid-19

Contingente é próximo à toda força policial do Acre; dez policiais morreram em maio pela doença

São Paulo

O número de policiais civis e militares de São Paulo afastados por suspeita de contaminação pelo novo coronavírus quase quadruplicou nas últimas três semanas. Saltaram de 800 para 3.000 os profissionais da segurança colocados em quarentena para tratamento da doença no período, uma alta de 275%.

Esse contingente é quase toda a força policial do estado do Acre, e equivale a 2,7% dos 110 mil policiais paulistas. No mesmo intervalo, os casos registrados entre a população do estado de São Paulo passaram de cerca de 40 mil para quase 100 mil, salto de 175%.

Já as mortes de policiais militares e civis em maio chegaram a dez, o dobro da soma dos óbitos de março e abril deste ano pela Covid-19.

policial usa máscara e luvas contra vírus
Policial Militar de São Paulo iniciou em março o uso de luvas e máscaras durante policiamento para evitar contágios de coronavírus - Divulgação Policia Militar

Uma das explicações para essa explosão de casos é a testagem em massa dos efetivos das três polícias, iniciada no último 15 pelo governo paulista na capital. Até então, conforme instrução dos órgãos de saúde, apenas os casos mais graves tinham essa verificação.

Por outro lado, desde a morte da sargento Magali Garcia, 46, em março, o comando da Polícia Militar aumentou as medidas mais concretas de proteção da tropa, como a utilização de luvas e máscaras, além de evitar abordagens desnecessárias de suspeitos, o que em tese freia um aumentomais agudo.

A possibilidade de registro na delegacia eletrônica foi ampliada para quase todos os tipos de crime, e a Polícia Civil passou a distribuir equipamentos de segurança para equipes da capital. Em algumas unidades, os policiais criaram barreiras de proteção para reduzir as chances de contágio.

A policial Magali Garcia, que morreu no último dia 31
A sargento Magali Garcia, 46, primeira policial da ativa vítima da Covid-19, recebe beijo da filha, Ana Júlia - Arquivo pessoal

De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública, o número de registros de crimes pela internet teve alta de 18,78% entre 25 de março a 24 de maio deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, passando de 204.713 boletins, em 2019, para 243.168.

As ocorrências registradas fisicamente nas unidades, porém despencaram. Foram feitos 166.165 boletins no período, uma média diária de 2.800 ocorrências no estado, contra 228.196 no mesmo período do ano passado.

Atendimento do 27º DP, no bairro do Campo Belo, zona sul de SP, é adaptado para evitar o contato e prevenir contágio do coronavírus - Divulgação

Para o presidente da Associação dos Delegados de São Paulo, Gustavo Mesquita Galvão Bueno, a gestão João Doria (PSDB) deveria proibir o registro nas unidades policiais de crimes que não sejam graves durante a quarentena. “Que não caiba ao cidadão a opção de registrar, que seja obrigatório o registro na delegacia eletrônica, deixando a unidade polícia efetivamente para os casos de urgência", afirma.

“[Doria] Deveria ter esse mesmo rigor na proteção dos seres humanos policiais, dos seres humanos que labutam na segurança pública, e a proteção do próprio sistema de segurança pública. Que se não for por razões humanitárias, que seja então por razões pragmáticas, porque, se nós não preservarmos o nosso pouco efetivo policial civil, nós podemos beirar a um colapso do nosso sistema de segurança pública.”

De acordo com associação, ao menos 356 policiais estão afastados por suspeita de contaminação pela Covid-19. Embora o número absoluto seja baixo, diante de efetivo estimado em cerca de 23 mil homens e mulheres, Bueno diz que ele faz falta diante do déficit de servidores que, afirma, chega a 30%.

De acordo com a gestão Doria, já foram investidos mais de R$ 8 milhões em equipamentos de proteção aos agentes de segurança estaduais, que correspondem a cerca de 4 milhões de itens de equipamentos, além de produtos de limpeza e higiene.

Ainda segundo a pasta, desde o último dia 15, estão sendo testados agentes civis, militares e técnico-científicos que moram ou atuam na capital paulista, bem como os familiares que residem com eles.

“Policiais de outras regiões também serão testados, contribuindo assim com as autoridades de saúde no mapeamento da doença em todo o estado”, diz a nota da Segurança Pública, mas, sem apontar a data de quando isso deverá ocorrer.

O governo paulista afirma ainda que, em caso de resultado positivo nos testes, do policial ou de seus familiares, o agente policial é afastado preventivamente, conforme orientações da OMS, do Ministério da Saúde e do Comitê de Contingência do Coronavírus.

Por fim, o governo afirma que todas as medidas adotadas desde março, como revisão e readequação de escalas, não causaram prejuízo às ações de segurança no estado, e o patrulhamento nas proximidades de hospitais e supermercados foi reforçado.

Lista de policiais mortos:

31/03 - sargento (PM) Magali Garcia, 46 anos, capital

04/04 - investigador (Civil) Alexandre Lopes Nunes, 49, Diadema

06/04 - agente policial (Civil) Osmar Aparecido Nunes, 58, Osasco

11/04 - sargento (PM) Cleber Alves da Silva, 44 anos, capital

12/04 - sargento (PM)Benedito Amâncio Nascimento, 51, bombeiro capital

04/05 - investigador (Civil) Roberto Aparecido Ferreira, 64, capital

06/05 - cabo (PM) Gilberto Santana da Silva, Guarujá

11/05 – oficial administrativo (Civil) Cláudia de Cassia Saad, 54, capital

13/05 - cabo (PM) Ricardo Valentim da Silva, 47, Guarujá

13/05 - soldado Gleivan da Silva Lima, 36, capital

16/05 – escrivão (Civil)Edson Krause de Lima, 55, (não informado)

20/05 – investigadora (Civil) Yara de Mattos, 53, Sorocaba

20/05 - sargento (PM) Nelson Chagas Junior, 51, capital

22/05 – cabo (PM) Inaldo Farias da Silva, 46, capital

28/05 – soldado (PM) Rafael de Morais Leite, 36, capital

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