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SP troca secretário da Saúde, e infectologista do Emílio Ribas assume cargo

Jean Gorinchteyn substitui José Henrique Germann, que ocupava o cargo desde o início da gestão Doria

São Paulo

O governo de São Paulo anunciou nesta terça-feira (21) que o infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, será o novo secretário estadual de Saúde.

Ele substituirá José Henrique Germann, que deixou o cargo por problemas de saúde e assumirá o posto de assessor especial do governo para assuntos de saúde pública.

Médico infectologista Jean Gorinchteyn é o novo secretário da Saúde de SP - Reprodução/Redes sociais

Germann, 69, ocupou o posto desde o início do governo do tucano e, no início do mês, teve problemas cardiovasculares. Como assessor especial, ele deve seguir uma rotina mais tranquila.

Doria disse que considera o trabalho do secretário eficaz e que a troca não está relacionada com o combate à pandemia no estado.

“O doutor José Henrique Germann, ao longo de um período de 19 meses, cumpriu brilhantemente o trabalho à frente da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo”, afirmou o governador em entrevista a jornalistas no Palácio dos Bandeirantes. “Não houve razão de ordem administrativa ou de outra ordem, exceto a orientação de saúde que ele recebeu de seus médicos.”

Germann disse que "pequenos sustos podem significar grandes alertas". "No último dia 3 de julho, dei entrada no hospital Albert Einstein e fui submetido a diversos exames, incluindo o de cateterismo cardíaco. A recomendação médica foi diminuir as atividades inerentes às funções executivas."

Gorinchteyn se reuniu com o governador nos últimos dias, quando a saída de Germann era uma possibilidade por causa de seu estado clínico, e deve tomar posse na sexta-feira (24).

Ele é considerado uma referência na área e foi um dos primeiros a defender o uso de máscaras caseiras pela população para evitar o contágio pela Covid-19. É professor de infectologia na Universidade de Mogi das Cruzes, onde se formou, mestre em doenças infecciosas pela coordenação dos institutos de pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e fez doutorado em neurologia experimental na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Desde o ano passado, Gorinchteyn é embaixador do Instituto Trata Brasil, que apoia as ações pela universalização do saneamento.

“Temos que entender que existe continuidade, não existe troca. A pasta continua absolutamente igual. Em time que ganha, não se mexe. Nós estamos progredindo de uma forma faseada, fazendo com que São Paulo volte a ter esse novo normal de forma gradual, dando abertura para que todos possam retomar suas vidas e a economia, mas sempre lembrando da segurança e da saúde da população”, disse Gorinchteyn.

O novo secretário afirmou ainda que, após uma alta de casos, a Covid-19 no interior do estado está desacelerando.

"Quem sucumbiu foi pela gravidade da doença, não por falta de assistência. A despeito das autoridades locais terem feito as deliberações de forma inadvertida, o governo do estado se antecipou e aumentou o número de leitos de UTI. Dados preliminares mostram que já tivemos desaceleração no interior, tanto em número de casos quanto em número de mortes", afirmou.

O balanço divulgado nesta terça-feira mostra que o estado tem 422.669 casos no total, 6.235 deles registrados em 24 horas e 20.171 óbitos, sendo 383 em 24 horas.

A taxa de ocupação de leitos de UTI é de 66,6% no estado e de 64,3% na Grande SP.

O número de casos está abaixo do esperado para o período, segundo o secretário executivo da secretaria da Saúde, Eduardo Ribeiro. Já o número de mortes está dentro do previsto, de acordo com a gestão. Após queda durante três semanas, as mortes aumentaram 14%.

Questionado sobre se adotará um novo protocolo para uso da cloroquina e da hidroxicloroquina, Gorinchteyn afirmou que, como médico, vai seguir documentos e estudos científicos. "Os trabalhos que temos aqui não nos permitem liberar essa ou aquela medicação sem que tenhamos esse embasamento, até por uma questão ética", disse.

Sobre as volta às aulas no ensino público, previstas para o início de setembro, o novo secretário afirmou que isso só será possível se, no início de agosto, todas as 17 áreas de saúde do estado estiverem no nível amarelo do faseamento do Plano São Paulo, de flexilibização da quarentena.

"Nós precisaremos que todos se mantenham, pelo menos por quatro semanas [na fase amarela], para que a gente possa dizer: sim, 8 de setembro é um dia de reinício", afirmou.

Até 17 de julho, data da última atualização, cinco regiões estavam na fase vermelha, nove na fase laranja e três na fase amarela.

Questionado sobre um possível pedido do prefeito Bruno Covas (PSDB) para que a capital passasse da fase amarela para a verde, o governador negou. “Eu quero deixar claro que não houve essa solicitação e nem o prefeito a faria."

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