Descrição de chapéu Coronavírus

Penitenciárias de SP têm explosão de envio de cartas virtuais durante quarentena

A casa 5 segundos ocorre uma troca de mensagem entre familiares e presos no estado, diz governo

São Paulo

“Oi filho!! Como você está? Que saudades. Esta semana não recebi nenhuma carta, você não me escreveu? Estou preocupada com você, me mande notícias, por favor. Quinta-feira mandamos três cartas para você: eu, seu pai e seu irmão. Você recebeu? Está precisando de algo? Se tiver, me fale que mando para você”, escreveu dona Genilda a Felipe.

A resposta logo viria: “Oi, mãe! Tudo bem com vocês? Eu estou bem, graças a Deus! Eu recebi as cartas de vocês sim! Eu respondi via Correio, acho que por isso não receberam ainda. Eu amei as cartas, e saibam que estou muito orgulhosos de vocês por estarem firmes e fortes aí fora!”. O rapaz encerra com “eu amo muito vocês".

carta escrita a mão
Em carta virtual, preso de SP explica à família motivo da falta de notícias do cárcere - Divugalção SAP

Era tudo que dona Genilda queria ouvir. O canal de cartas virtuais entre pessoas encarceradas no sistema prisional e seus familiares foi criado pelo governo paulista para amenizar a angústia em um momento em que visitas, por causa da pandemia do novo coronavírus, estão suspensas. Felipe é um detento que aguarda julgamento em Jundiaí, onde fica uma das 176 unidades prisionais do estado.

“Foi uma forma que a gente encontrou para manter a comunicação dos reeducandos e familiares, para que não perdessem os laços afetivos”, diz Carolina Maracajá, diretora do Departamento de Atenção ao Egresso e Família. “O contato da família, o apoio, o vínculo afetivo com familiares, é muito importante no processo de reintegração, para melhora dele como indivíduo.”

A diretora aponta que a carta virtual agilizou um contato que os protocolos de saúde haviam tornado mais lentos. “Além do problema dos Correios, de demorar, quando a carta física chega à unidade, ela precisa passar pelo processo desinfecção. Ela precisa ficar lá parada, por três dias, para só depois se repassada ao reeducando."

A ferramenta foi disponibilizada em 26 de junho no site da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária e faz parte do programa chamado Conexão Familiar. A procura pelo serviço surpreendeu até os mais otimistas e chegou a derrubar o portal do governo paulista no primeiro dia.

Em pouco mais de um mês, foram 546.461 correspondências virtuais —11 por minuto. “Foi bem aceito. Em uma hora o sistema caiu. Fomos atualizando, e, agora, está fluindo superbem”, disse Carolina.

Para não colapsar todo o sistema, o governo impôs algumas regras: cada preso tem direito a receber apenas duas mensagens por semana e deve devolver a resposta à família em até cinco dias. Há um limite de 2.000 caracteres para carta virtual.

Isso viabiliza uma logística que começa com o recebimento da mensagem pelo setor checagem da unidade, que lê as cartas para evitar eventuais práticas criminosas, como fazia com a correspondência física. Impressa em papel sulfite, a carta é encaminhada ao detento ou detenta.

A resposta deve ser dada pelo preso a caneta no verso da mesma folha, para em seguida ser digitalizada e enviada por e-mail ao familiar. Só podem enviar mensagens pessoas que estejam no rol de visitas cadastrado na unidade.

O serviço, a princípio, deve ser mantido apenas durante a quarentena sanitária, mas a diretora afirma que a decisão final virá após avaliação da experiência, no fim do processo.

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