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Justiça manda sindicatos de ônibus garantirem 85% da frota durante greve em SP

Após anúncio de vacinação de metroviários, categoria pressiona por imunização a motoristas e cobradores de ônibus

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São Paulo

A Justiça do Trabalho deu decisão liminar favorável à Prefeitura de São Paulo para garantir que o transporte público municipal funcione com pelo menos 85% da frota nos horários de pico (das 6h às 9h e das 16h às 19h) e 70% nos demais horários nesta terça-feira (20).

A decisão se dá em resposta à greve convocada pelo Sindmotoristas (sindicato de motoristas e trabalhadores de ônibus) pela vacinação da categoria contra a Covid-19.

Em caso de descumprimento, o tribunal determinou o sindicato deve pagar multa de R$ 200 mil. A decisão é assinada pela juíza Renata de Paula Eduardo Beneti.

Por volta das 23h desta segunda (19), o sindicato anunciou que suspendeu a greve.

Os trabalhadores do sistema de ônibus haviam convocado greve juntamente com os metroviários e os trabalhadores da CPTM (trens metropolitanos) para esta terça-feira, afirmando que a categoria está mais exposta à pandemia da Covid-19 e deve ser vacinada.

No fim de semana, porém, o governo João Doria (PSDB) decidiu incluir no grupo prioritário da vacina os trabalhadores do Metrô e da CPTM que lidam diretamente com o público: todos os operadores de trens, independentemente da idade, e demais funcionários da operação, como seguranças, técnicos de manutenção e trabalhadores da limpeza, que lidam diretamente com o público, acima dos 47 anos. Entram aí também os trabalhadores da operação das linhas 4-amarela e 5-lilás, que são privatizadas.

Se, por um lado, o movimento do governo paulista arrefeceu o movimento dos metroviários e dos ferroviários, por outro lado exaltou os ânimos dos rodoviários, que estenderam a greve dos ônibus para cidades da região metropolitana, como Guarulhos.

Representantes do governo Doria estão reunidos na noite desta segunda (19) com sindicalistas dos ônibus para pressionar por encerrar a paralisação.

Caso a greve se mantenha, a ideia do sindicato é estacionar os veículos na frente do Masp (Museu de Arte de São Paulo) bloqueando parte da avenida Paulista e seguir em passeata até o Viaduto do Chá, na região central, sede da Prefeitura de SP.

O movimento grevista ganhou força após o início da vacinação contra a Covid-19 de policiais e professores em São Paulo e fez crescer a pressão para incluir o setor de transportes no grupo prioritário.

Metrôs, ônibus e trens em São Paulo não pararam um único dia. Relatório da administração do Metrô divulgado na última semana mostra que embora a pandemia tenha tirado passageiros nos primeiros meses da chegada do vírus ao Brasil, foram feitas quase 3 bilhões de viagens nos transportes públicos que passam pela capital, entre metrô (764 milhões), CPTM (505 milhões) e ônibus municipais (1,6 bilhão).

Lidando com esse público estão motoristas, cobradores, ferroviários e metroviários, que acumulam contaminações e mortes pela doença.

Segundo levantamento do Sindmotoristas, até o último dia 15 havia 2084 contaminações confirmadas na categoria e 167 mortes registradas.

Já o Metrô já soma 22 mortes entre seus funcionários, além de cerca de 1.500 contaminados, segundo contagem do sindicato dos Metroviários, que convocou uma “greve sanitária” para terça-feira.

Entre trabalhadores da CPTM, estimativa do sindicato diz que já são quase 50 mortes entre os ferroviários

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