Bolsonaro vê marxismo em ministério e 'dá' cartão vermelho a chefe do Enem

Presidente eleito nega rumores de que ela estaria cotada para o Ministério da Educação

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, no Rio - Tercio Teixeira-18.nov.18/Folhapress
Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda (19) que dará “cartão vermelho” à presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Maria Inês Fini, negando rumores de que ela estaria cotada para comandar o Ministério da Educação em seu governo.

Essa aí não esteve à frente da prova do Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]? É cartão vermelho, não tem nem amarelo”, respondeu, em entrevista concedida em frente à sua residência, quando questionado sobre a possibilidade de nomeação de Fini.

Após a aplicação prova deste ano, Bolsonaro fez críticas ao exame e disse que quer ter conhecimento prévio do conteúdo das questões em 2019. Em sua crítica, ele citou especificamente uma questão que abordou um dialeto da comunidade LGBT.

​​“[Olha] Essa prova do Enem, vão falar que eu estou implicando. Agora pelo amor de Deus. Esse tema da linguagem ‘particulada’, aquelas pessoas, o que isso tem a ver? Vai estimular a molecada a se interessar por isso agora. No ano que vem, pode ter certeza, não vai ter questão dessa forma. Nós vamos tomar conhecimento da prova antes”, disse ele, em pronunciamento em rede social.

Na entrevista desta segunda, o presidente eleito voltou a criticar o que chama de aparelhamento do Ministério da Educação, que afirmou ser “um dos mais importantes”. “Há um marxismo lá dentro que trava o Brasil”, acusou. “Nos 13 anos de PT, dobrou-se o gasto em educação e a educação foi lá para baixo.”

No último dia 14, Viviane Senna, presidente do Instituto Aryrton Senna e cotada para assumir o Ministério da Educação, se reuniu em Brasília com a equipe de Jair Bolsonaro (PSL).

O encontro foi confirmado à Folha pela assessoria do instituto por meio de nota. "O Instituto Ayrton Senna foi convidado pela equipe do governo eleito para apresentar um diagnóstico e caminhos de melhoria da educação brasileira."

Segundo pessoas que integram o gabinete de transição, o nome de Viviane é estudado para assumir a Educação do próximo governo. Ainda durante a campanha, a presidente da ONG visitou Bolsonaro em sua casa, no Rio de Janeiro. 

Viviane é irmã de Ayrton Senna, piloto tricampeão brasileiro de Fórmula 1 que morreu em acidente em maio de 1994 enquanto competia na Itália.

Com o objetivo de não chamar a atenção, Viviane se reuniu com o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, em uma agenda secreta, fora do escritório da transição.

A reunião teve as participações de Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, da deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL-SP), responsável por ter apresentado Viviane a Bolsonaro, e de integrantes do Movimento Todos pela Educação.

O nome de Viviane é avaliado como ideal por auxiliares do presidente eleito, mas pessoas próximas a ela dizem que a psicóloga ainda tem resistências em eventualmente assumir um cargo público.

Procurado pela Folha, Mozart Ramos disse que a reunião foi de caráter técnico e que não houve sondagens ou convites ministeriais. 

Segundo ele, foi realizado em um hotel da capital federal exatamente para evitar eventuais especulações.

"O encontro foi para levar um diagnóstico da educação no país, a convite da equipe do presidente eleito", disse.

De acordo com Ramos, na reunião, Onyx compreendeu a importância de se investir na melhora da qualidade da educação básica como um fator para o desenvolvimento do país.

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