Estudantes e MEC medem forças em 2º dia de protestos

Apesar de menos numerosos, atos são expressivos em SP e em outras cidades

São Paulo , Rio, Brasília , Ribeirão Preto, Porto Alegre , Curitiba , Belo Horizonte, Recife, Fortaleza , Salvador e Belém

Manifestantes voltaram às ruas pela segunda vez neste mês de maio em protesto contra bloqueios de verbas para a educação no país pelo governo Jair Bolsonaro (PSL).

O Ministério da Educação, em nota disseminada em redes sociais, pediu à população que denunciasse professores, servidores, funcionários, alunos e pais de alunos que promovessem manifestações em horário escolar. Na véspera, o ministro Abraham Weintraub havia dito que estudantes estavam sendo coagidos por professores a protestar.

Ainda que os atos tenham sido menores que os do dia 15 de maio, houve manifestações em ao menos 22 estados e no Distrito Federal. Segundo a UNE (União Nacional dos Estudantes), que centralizou a organização, foram registrados protestos em 208 cidades.

As manifestações foram expressivas em cidades como São Paulo, Rio, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém. Muitas faixas e palavras de ordem faziam referência aos cortes de bolsas de pesquisa e a bloqueios que afetam a ciência.

Havia também críticas a Bolsonaro, além de alguns manifestantes que pediam a liberdade do ex-presidente Lula, o fim da reforma da previdência e justiça para a vereadora assassinada Marielle Franco.

O Ministério da Educação anunciou no final de abril contingenciamentos na área que chegavam a R$ 7,4 bilhões. No entanto, uma semana depois da primeira mobilização, o governo repôs parte dos recursos bloqueados —R$ 1,6 bilhão, ou 21% do valor que havia sido contingenciado.

Manifestantes contra os cortes no orçamento da educação realizam ato na tarde desta quinta-feira (30), no Largo da Batata na zona oeste de São Paulo
Manifestantes contra os cortes no orçamento da educação realizam ato na tarde desta quinta-feira (30), no Largo da Batata na zona oeste de São Paulo - Jardiel Carvalho/Folhapress

Nas universidades federais, o corte chega a R$ 2 bilhões, o que representa 30% da verba discricionária (que não inclui gastos obrigatórios como salários, por exemplo). Na Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), ligada ao MEC, que financia bolsas de pesquisa, o bloqueio foi de R$ 819 milhões, ou 19% do total.

Em São Paulo, o ato começou no Largo da Batata, na zona oeste. De lá, seguiram em direção à avenida Paulista, em trajeto de cerca de 4 km.

O público era composto, em grande parte, por estudantes, professores e integrantes de movimentos sociais e de centrais sindicais. Carregavam cartazes com dizeres como "+ pesquisas, - milícias" e "a ciência destrói o mito".

Houve reação à declaração do presidente sobre a primeira mobilização, de que manifestantes eram idiotas úteis: "No dia 15, a gente mostrou que quem é inútil é ele, e que a gente é útil para caramba para o país!", disse um jovem, também no carro de som.

O pré-candidato à presidência Guilherme Boulos e a deputada federal Sâmia Bomfim, ambos do PSOL, foram alguns dos políticos da oposição que compareceram ao ato.

No Rio, o ato ganhou corpo a partir das 17h, ocupando duas faixas da avenida Rio Branco por vários quarteirões. A impressão, no entanto, era de que a manifestação foi menor que a do último dia 15.

O público, em grande parte de jovens, entoava gritos como "Que contradição, tem dinheiro para a milícia mas não tem para a educação" e "Quero estudar para ser inteligente, porque de burro já basta o presidente". A cor mais frequente nas camisetas e bandeiras era o vermelho.

Em BH, o ato reuniu 50 mil, segundo os organizadores. O governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) também virou alvo dos estudantes, que portavam cartazes com dizeresm como "Fora Zema" e "Pare com os cortes na UEMG".

Alvo de ataques por parte dos apoiadores de Bolsonaro, o educador pernambucano Paulo Freire (1921-1997) foi homenageado no ato em Recife com um boneco gigante.

Em Curitiba, o reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Marcelo Fonseca, afirmou que a instituição tem verba para se manter apenas até agosto, diante dos cortes anunciados pelo governo federal.

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