'Vida com endometriose é feita de tensão, fluxo intenso e muitas dores'

Na doença, tecido que reveste o útero passa a crescer em outras áreas do corpo

Thea Severino
São Paulo

Ressonância feita, veio, enfim, o diagnóstico: endometriose! 

Àquela altura, a vida era feita de impaciência e cólicas fortes uma semana antes da menstruação. Quando menstruava, o fluxo era intenso e as dores continuavam.

Apesar de usar o DIU, que prometia extinguir o fluxo, eu sangrava muito. Era uma tensão permanente sobre possíveis manchas, com idas frequentes ao toalete para verificar se tudo estava em ordem e um guarda-roupa de roupas escuras para esconder algum acidente.

Depois desse período vinha um leve alívio. Duas semanas “em paz”. Essa “paz” para alguém com endometriose significa eventuais cólicas. Nada péssimo, até tolerável. Você sente dores intensas durante metade do mês, e tudo fica mais tranquilo nos outros dias. Conclusão: você passa metade do ano ruim e outra metade, mais ou menos.

Ilustração mostra endometriose no útero
Ilustração mostra endometriose no útero - Folhapress

Na vida sexual é que a coisa complica. Você evita transar porque dói. A posição em que não doía passa a doer. E como explicar isso para o parceiro? “Olha, eu adoro transar contigo, mas tem momentos em que tudo dói, por isso vou parar no meio. E o problema não é você, sou eu.” 

Torça para a pessoa ter cabeça boa e confiar em você. Infelizmente, não foi o meu caso, mas há males que vêm para o bem... 

Quando a endometriose começa a envolver o intestino, prepare-se. Na semana da maldita TPM, ele solta com tudo. 

As dores pioram a cada mês. A endometriose tira energia de você, parece sugar sua alma. 
A minha qualidade de vida só melhorou após uma cirurgia, em junho do ano passado. Fiz uma laparoscopia para limpar o intestino, a bexiga, os ovários e tudo o que tinha sido envolvido pelo endométrio.

A intervenção cirúrgica é pouco invasiva. São quatro furos: um no umbigo e os outros três abaixo dele. A recuperação demora uma semana. É preciso pegar leve depois, sem muito esforço físico —o que foi difícil para mim, graças à minha hiperatividade.

Um ano de alegria! Cólica? Um dia por mês na TPM. A vida sexual voltou ao normal. Mas, nesses últimos dois meses, quem decidiu dar as caras foi a adenomiose, a prima da endometriose. O tecido do endométrio se infiltra na parede muscular do útero e gera miomas, muito fluxo e coágulos. O período menstrual praticamente dobrou.

Agora é enfrentar mais uma cirurgia, mas isso é assunto para outro depoimento.

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