Até 80 milhões de bebês podem ficar sem vacina, afirma Unicef

Pandemia afeta campanhas de imunização e elevam risco de difteria, sarampo e polimielite

Bruxelas

Ao menos 80 milhões de bebês correm o risco de contrair difteria, sarampo e poliomielite em países ricos e pobres, por causa do impacto da pandemia de coronavírus nas campanhas rotineiras de vacinação, afirmaram nesta sexta (22) OMS (Organização Mundial da Saúde), Unicef (agência para infância das Nações Unidas) e Gavi (entidade de disseminação de vacinas).

Dados coletados pelas agências e pelo Instituto Sabin Vaccine mostram que a rotina de vacinação foi severamente prejudicada em pelo menos 68 países, afetando crianças com menos de um ano de idade.
Os locais com interrupções moderadas, graves ou suspensão total dos serviços de vacinação entre março e abril de 2020 equivalem a mais da metade (53%) dos 129 países em que os dados estavam disponíveis.

É a maior ruptura dos programas de imunização desde 1970, quando se iniciaram campanhas globais, afirma a OMS.

Os motivos variam, de pais que temem ser punidos por desrespeitar o confinamento a medo de contrair o coronavírus ou falta de informação.

Outro fator que reduz a cobertura pelas vacinas é a transferência de profissionais de saúde para o combate ao coronavírus e a falta de equipamentos de proteção prejudica o serviço de vacinação.

Atrasos no transporte também estão provocando falta de vacinas, segundo o Unicef, por causa da queda nos voos comerciais e da disponibilidade limitada de fretes.

Segundo Seth Berkley, CEO da Gavi, é preciso evitar o desmonte dos programas de imunização não apenas para evitar surtos de doenças já controláveis como também para garantir a infraestrutura necessária para acelerar a imunização contra o coronavírus em escala global, quando uma vacina estiver disponível.

"A interrupção ameaça desintegrar décadas de progresso contra doenças preveníveis por vacina, como o sarampo", afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

Muitos países suspenderam temporariamente campanhas preventivas de vacinação em massa contra doenças como cólera, sarampo, meningite, poliomielite, tétano, febre tifóide e febre amarela, devido ao risco de transmissão e à necessidade de manter o distanciamento físico durante os estágios iniciais da pandemia.

As campanhas de vacinação contra sarampo e pólio, em particular, foram gravemente atingidas, com campanhas de sarampo suspensas em 27 países e campanhas de pólio suspensas em 38 países.

Pelo menos 24 milhões de pessoas em 21 países de baixa renda apoiados por Gavi correm o risco de perder vacinas contra poliomielite, sarampo, febre tifóide, febre amarela, cólera, rotavírus, HPV, meningite A e rubéola devido a campanhas adiadas e introdução de novas vacinas.

No Brasil, como mostrou a Folha, a pandemia também ameaça afetar a vacinação enquanto o país registra novo avanço de sarampo. Até o dia 10 de maio, já havia 2.805 casos confirmados de sarampo, com um aumento de 18% em relação à semana anterior.

O número era superior aos primeiros quatro meses de 2019, quando havia apenas 92 confirmações, segundo o Ministério da Saúde. O Brasil tem transmissão ativa do sarampo em 19 estados. Cinco deles concentram 96% dos registros atuais: Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

No mundo, após preocupações crescentes sobre o aumento da transmissão da poliomielite, a Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite (GPEI) está aconselhando os países a começarem a planejar o reinício seguro das campanhas de vacinação contra a poliomielite, especialmente em países de alto risco.

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