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05/02/2011 - 14h03

Manifestantes se reúnem para tomar overdose de homeopáticos

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GUILHERME GENESTRETI
DE SÃO PAULO

Neste sábado, quem passou pela tradicional feirinha de antiguidades da praça Benedito Calixto, em São Paulo, se deparou com um protesto um tanto inusitado: cerca de vinte manifestantes se reuniram para tomar uma overdose de remédios homeopáticos.

Especialistas reagem a protesto contra homeopatia

O evento faz parte de uma manifestação global que vai ocorrer em outras 79 cidades do mundo inteiro neste fim de semana --uma campanha encabeçada pelo grupo britânico 10:23.

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Videorreportagem: Thiago Brizola

A ideia, segundo os organizadores do movimento, é protestar contra a falta de evidências científicas que demonstrem a eficácia dessas medicações.

Às 10h23 da manhã, pontualmente, os céticos paulistanos entornaram vidros inteiros de remédios homeopáticos. O horário é uma alusão à constante de Avogadro, referência usada na química para calcular quantidades de substâncias.

"Isso é o que eu chamo de suicídio homeopático", disse um dos manifestantes após sorver todo o seu comprimido. 'Se eles realmente funcionassem, eu estaria agora caído no chão, com espuma saindo pela boca'.

Paula Giolito/Folhapress
Manifestantes protestam e ingerem overdose de remédios homeopáticos para provar que eles não funcionam
Manifestantes protestam e ingerem overdose de remédios homeopáticos para provar que eles não funcionam

O analista de sistemas Kentaro Mori, um dos coordenadores do protesto, também não parecia temer qualquer efeito colateral de uma suposta overdose.

"Todas as leis da física e da química garantem que não vai dar nenhum efeito", disse ele, após virar uma dose inteira do composto feito à base beladona, uma planta tóxica que é diluída para produzir muitos desses remédios.

"A diluição é tão grande que para se achar uma única molécula da substância teríamos que administrar 6 bilhões de doses para 6 bilhões de pessoas durante 4 bilhões de anos", completou o também analista de sistemas Carlos Bella, 38, que comprou seis frascos por R$ 50 para fazer o protesto.

"Dá pra ver que é o açúcar mais caro do mundo", ironizou o advogado Alexandre Medeiros, 40.

Alguns instantes depois, aproximou-se um grupo de terapeutas homeopatas e adeptos dessas medicações.

Paula Giolito/Folhapress
Manifestantes protestam e ingerem overdose de remédios homeopáticos para provar que eles não funcionam
Manifestantes protestam e ingerem overdose de remédios homeopáticos para provar que eles não funcionam

A designer gráfica Marisa Luiz, 53, que toma esse tipo de remédio há mais de cinco anos, classificou o protesto como uma "palhaçada".

"Eles não conhecem princípios da homeopatia. Se eles realmente quisessem uma overdose, teriam que tomar várias vezes ao dia, e não assim, de uma vez só", afirmou.

Rubens Dolce Filho, presidente da Associação Paulista de Homeopatia, concorda.

"Isso é uma bobagem enorme. Não existe overdose em homeopatia dessa forma."

A terapeuta homeopata Ana Paula Macedo começou a notar que alguns dos céticos apresentavam sinais no corpo de possíveis efeitos colaterais da superdosagem.

"Alguns estão com pontos vermelhos nas faces e estão tomando muita água porque a boca está seca. É um sinal de que está acontecendo alguma coisa".

O biólogo Yuri Grecco, 32, do grupo de manifestantes, rebate: 'Dizer isso é de uma desonestidade intelectual tremenda. Eu suo o dia inteiro porque sou obeso e o sol está bem forte'.

Bella resume a ideia do movimento: "Não estamos lutando contra um laboratório específico. Estamos alertando para uma situação em que há dinheiro público financiando tratamentos e pesquisas sem que haja demonstração de que a homeopatia tem uma base, que é uma ciência".

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