Público vê jogo, mas sofre com escada e fica exposto em puxadinho da Copa

Torcedores reclamam da falta de banheiro na arquibancada provisória 

Fábio Aleixo
Iakaterinburgo

As primeiras imagens das obras na Arena de Iekaterinburgo, uma das 12 que receberão partidas da Copa do Mundo da Rússia, causaram estranhamento em todo o mundo no ano passado.

Os 12 mil assentos temporários, posicionados atrás dos gols, ficam para fora da estrutura original do estádio e foram necessários para que a arena tivesse a capacidade mínima de 35 mil pessoas exigida pela Fifa no Mundial.

A construção das arquibancadas temporárias, que deverão ser removidas só em 2019, foi a solução para fazer com que o estádio cumprisse as determinações da Fifa sem violar decreto da região que impede alteração na fachada histórica do estádio, erguido em 1957 e remodelado para o Mundial ao custo de US$ 220 milhões (R$ 752 milhões). 

“Pode não ter um belo apelo visual, mas foi a solução encontrada e até agora agradou às autoridades. Convidamos os torcedores para que venham e tirem suas conclusões”, disse Timur Ufimtsev, CEO da Sinara, construtora que reformou o estádio.

Visão da arquibancada provisória da Arena de Iekaterinburgo, que receberá jogos da Copa do Mundo de 2018, na Rússia
Visão da arquibancada provisória da Arena de Iekaterinburgo, que receberá jogos da Copa do Mundo de 2018, na Rússia - Fávio Aleixo/Folhapress

Fazer um novo estádio em outro local foi descartado pelo governo de Sverdlovsk, região onde fica Iekaterinburgo, por falta de demanda esportiva e cultural.

Neste domingo (15), a Folha esteve na arena para acompanhar o segundo jogo-teste no estádio e assistiu à vitória por 2 a 1 do Ural, o time da casa, sobre o Spartak Moscou, pelo Campeonato Russo, do alto da estrutura provisória.

À primeira vista, o puxadinho causa mesmo estranhamento. Chegar ao assento exige um bom preparo físico. São 176 degraus até a entrada da arquibancada. Depois mais alguns para poder se sentar. Não há elevadores.

Do assento —a reportagem ficou na fileira 41 de 51 existentes no setor—, a visão do campo é muito boa, sem pontos cegos. Segundo a organização, a última fileira da estrutura fica a 42 m de altura.

Da arquibancada não é possível ver os dois grandes telões localizados na parte interna do estádio. No entanto, os organizadores prometem instalar telões atrás dos gols voltados para os torcedores nos jogos da Copa do Mundo. 

Também serão instalados banners para esconder a estrutura metálica que dá sustentação à estrutura.
“Pode parecer um pouco estranho, mas a vista que se tem é muito boa. Quem vier para a Copa do Mundo vai gostar”, disse Maria Panina, torcedora do Ural.

Visão que os torcedores têm da arquibancada provisória construída na Arena de Iekaterinburgo, que receberá jogos da Copa do Mundo de 2018, na Rússia
Visão que os torcedores têm da arquibancada provisória construída na Arena de Iekaterinburgo, que receberá jogos da Copa do Mundo de 2018, na Rússia - Fábio Aleixo/Folhapress

O principal inconveniente é a falta de conforto. Como os assentos nesse setor não são cobertos, o torcedor que pagar até  US$ 105 (R$ 358) por um ingresso ficará exposto ao sol, chuva e vento durante o jogo.

O mesmo aconteceu nas arquibancadas provisórias do Itaquerão durante a Copa do Mundo de 2014 e acontecerá nas estruturas temporárias do estádio de Sochi.

Ir ao banheiro também é difícil. É preciso descer e subir todos os degraus mais uma vez. O mesmo é necessário se fazer para comer.

Os organizadores não informaram se durante o Mundial haverá estandes de comida nos níveis intermediários.

“A vista é boa, mas confesso que é estranha esta arquibancada. E ter que descer e subir para ir ao banheiro é péssimo”, disse Arton, torcedor do Spartak de Moscou.

Outro jogo-teste será realizado no estádio em 6 de maio. A arena receberá quatro jogos na Copa, todos eles na primeira fase: Egito x Uruguai, França x Peru, Japão x Senegal e México x Suécia.

Após o torneio, além do desmonte da arquibancada temporária, todo o anel externo será fechado com painéis.  

Dos 12 estádios, restam a inaugurar os de Volgogrado e Saransk, no dia 21, e o de Samara no dia 28.

O repórter FÁBIO ALEIXO viajou a convite do comitê organizador da Copa do Mundo.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.