Descrição de chapéu Agora Campeonato Brasileiro

Com 14 anos de Palmeiras, lateral é solitário protagonista da base no clube

Victor Luis participou da campanha do título brasileiro em 2018

Alberto Nogueira
São Paulo

Havia seis minutos que o Santos chegara ao seu segundo gol, o de empate com o Palmeiras no Allianz Parque, quando Victor Luis cobrou a falta que deu a vitória ao time da casa. Na comemoração, o lateral esquerdo ajoelhou-se no gramado, levou as mãos ao rosto e começou a chorar. A cena aconteceu em partida válida pela 32ª rodada do Brasileiro.

A identificação do atleta com o clube pode justificar toda a emoção demonstrada na comemoração do gol que rendeu mais três importantes pontos na trajetória da equipe rumo ao décimo título do Nacional.

Foi nas arquibancadas do antigo Palestra Itália, acompanhado do pai, Eraldo, que Victor Luis cantou e vibrou com as jogadas do ídolo Edmundo. A paixão pelo clube é tanta, que sua casa tem as paredes pintadas de verde e branco e a família possui um inusitado animal de estimação, o porco Tonhão.

O jogador de 25 anos está no Palmeiras desde os 11. Ele subiu ao profissional em 2014, ano em que o clube voltava à disputar a Série A.

Victor Luis ajoelha e se emociona após marcar o gol da vitória do Palmeiras sobre o Santos pelo Campeonato Brasileiro
Victor Luis ajoelha e se emociona após marcar o gol da vitória do Palmeiras sobre o Santos pelo Campeonato Brasileiro - Paulo Whitaker - 3.nov.18/Reuters

Era o segundo ano da gestão do então presidente Paulo Nobre, que, ainda sem a parceria com a Crefisa, tentava reequilibrar as contas de um clube endividado. Com isso, Victor Luis entrou e seus companheiros passaram por dificuldades na temporada.

Sem grandes contratações, a equipe lutou até a última rodada para não cair. O alívio veio somente minutos após o apito final do empate com Atlético-PR, que, graças ao triunfo do Santos sobre o Vitória, manteve o time na primeira divisão.

“O Victor foi homem demais. Enfrentou várias situações, jogou em várias funções naquele time, como lateral esquerdo, volante e até na meia. Tínhamos ele, o João Pedro, o Renato, o Gabriel Dias e o Nathan. Foram jogadores novos que nos deram sustentação, que ajudaram o Palmeiras a escapar da situação complicada que vivia”, conta à Folha Dorival Júnior, técnico da equipe na época e que atualmente dirige o Flamengo.

Aquele foi o último ano de sufoco para os palmeirenses, que viram desde então o clube retomar o protagonismo no futebol brasileiro, tanto em contratações quanto na conquista de títulos. No entanto, no meio de 2015, o garoto que até ali havia “roído o osso”, ficou fora na hora de “saborear o filé”

Com investimento da Crefisa e outras receitas, como a cota de TV e o programa de sócio-torcedor, o Palmeiras contratou Zé Roberto e Egídio para a lateral esquerda e decidiu emprestar o jovem ao Ceará. 

Após breve passagem pelo futebol do Nordeste, o jogador retornou ao time no início de 2016, mas novamente foi cedido por empréstimo, desta vez ao Botafogo. 

No Rio, teve uma passagem de destaque e se credenciou para voltar a fazer parte do concorrido elenco alviverde, onde dividiu a titularidade com Diogo Barbosa ao longo de toda a temporada.

Victor Luis conseguiu em 2018 ser um solitário protagonista da base em meio a tantos jogadores renomados.

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