Descrição de chapéu São Paulo Campeonato Paulista

Corinthians e São Paulo têm defesas como trunfo até para fazer gol

Com ataques fracos, finalistas recorrem a laterais, volantes e zagueiros para marcar

Luciano Trindade Toni Assis
São Paulo

"Ataque ganha jogos, defesa ganha campeonatos." Um dos clichês mais famosos do esporte se encaixa bem na decisão deste ano do Campeonato Paulista.

Corinthians e São Paulo fazem o segundo jogo da final neste domingo (21), às 16h, no Itaquerão, após empatarem sem gols no Morumbi na primeira partida.

Com ataques irregulares, que marcaram menos de um gol por jogo em média no Paulista, os dois clubes vêm mostrando que a base dos seus sistemas táticos está mesmo na força da defesa. Não apenas para evitar gols dos rivais mas também para marcá-los.

Anfitrião na partida deste domingo (21), o Corinthians sofreu 12 gols e marcou 14 nos 17 jogos até agora da competição. Os jogadores de defesa ou com funções mais voltadas para a marcação fizeram metade dos gols do time.

Só o lateral esquerdo Danilo Avelar marcou três vezes, seguido do zagueiro Manoel, com dois gols. O zagueiro Henrique e o volante Júnior Urso marcaram um gol cada um.

Volpi, Arboleda e Bruno Alves (São Paulo) disputam jogada aérea com Manoel e Júnior Urso (Corinthians), todos jogadores de defesa - Bruno Ulivieri - 14.abr.19/Ofotográfico/Folhapress

O São Paulo sofreu 11 gols e marcou 16 gols. Destes últimos, 5 tiveram autoria de atletas defensivos. Diferentemente do que ocorre rival, porém, a artilharia tricolor é distribuída igualmente pelos atletas.

Até aqui, balançaram as redes os zagueiros Arboleda e Anderson Martins, o lateral esquerdo Reinaldo, o volante Liziero e o também volante de origem Hudson, que passou a atuar como lateral direito.

Além de polivalente, o atleta de 31 anos ganhou destaque não só pelo papel tático mas também por sua atitude em campo. No momento em que os medalhões acabaram deixando o time por contusão (casos de Nenê e Hernanes) ou por deficiência técnica (Jucilei), foi Hudson quem assumiu a braçadeira de capitão.
Titular da lateral direita a partir dos jogos contra o Ituano, pelas quartas de final do Paulista, ele conseguiu dar mais solidez atrás e ainda teve fôlego para apoiar.

Suas boas atuações renderam elogios do ex-jogador Raí, atual executivo de futebol do clube. “Acho que o São Paulo vem se destacando não só pelos garotos mas também por todo o time. O Hudson deu uma boa consistência à defesa”, disse o dirigente.

Segundo atleta do elenco atual que mais vestiu a camisa do São Paulo, com 179 jogos, Hudson completou cinco anos de clube e enfim está tendo a chance de disputar sua primeira final.

“Superamos a eliminação na Libertadores [em fevereiro] e crescemos no momento certo. Vamos melhorar ainda mais para buscar o título”, disse o atleta, que ostenta a marca de ser o segundo maior ladrão de bolas do Estadual, com 42 desarmes.

Assim como Hudson tem atuado ultimamente, o líder em desarmes também joga pela direita e estará em campo na final. É o corintiano Fagner, que roubou 46 bolas.

Enquanto o são-paulino debuta em uma decisão, o camisa 23 do Corinthians disputará a sua quarta final pelo clube. Bicampeão paulista (2017 e 2018), ele também foi vice-campeão da Copa do Brasil na temporada passada.

Capitão do Corinthians no jogo de ida da decisão contra o São Paulo, Fagner é um dos principais líderes do elenco comandado pelo treinador Fábio Carille, ao lado do experiente goleiro Cássio.

Com 294 partidas disputadas no clube, Fagner busca o seu quarto título —tem os dois estaduais e também conquistou o Campeonato Brasileiro em 2015 e 2017.

“Além de disputar uma final com condições de título, se acontecer [de ganhar], isso vai marcar para sempre na história do clube”, afirmou.

A regularidade na equipe corintiana, pela qual é titular desde 2014, levou Fagner à Copa do Mundo de 2018, na Rússia, e também a convocações recentes da seleção brasileira.

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