Descrição de chapéu
Futebol Internacional

Volta do futebol na Alemanha desperta curiosidade e esperança

Novidades apareceram muito mais nos protocolos sanitários do que com a bola rolando

São Paulo

Na Copa do Mundo de 1986, contra o Brasil, o francês Michel Platini introduziu na cultura do futebol um gesto que seria repetido incontáveis vezes: beijar a bola antes de bater o pênalti. Tornou-se moda, apesar de ele ter errado o chute.

Trinta e quatro anos mais tarde, a Alemanha mostrou que, para o esporte voltar e se livrar das reprises de jogos antigos na TV, é preciso desinfetar a bola.

O retorno do campeonato no país despertou curiosidade. Seja pelas partidas com portões fechados ou pela ausência de abraços nas comemorações da maioria dos gols. Fez nascer esperança em dirigentes de outros países, desesperados por retomarem seus campeonatos.

O canal Sky Sports alemão bateu recorde de audiência com os jogos transmitidos neste sábado (16). De acordo com a emissora, cerca de 6 milhões de pessoas assistiram à rodada pela televisão. O dobro da audiência obtida nas partidas anteriores à pandemia da Covid-19 que paralisou o esporte ao redor do mundo.

Em parte pela curiosidade dos protocolos sanitários, mas também por ser a única atração ao vivo do futebol, canais internacionais se esbaldaram.

No Brasil, oito jogos tiveram transmissão entre TV a cabo e aplicativos na internet. Foram cinco no Reino Unido e seis nos Estados Unidos.

As câmeras tentavam sempre conciliar o que acontecia em campo com imagens inusitadas, mas que vão se tornar normais durante a pandemia e enquanto o público não voltar a frequentar os estádios.

As mais mostradas foram as de jogadores no banco de reservas separados pela distância de dois metros e usando máscaras de proteção.

Houve instantes em que as equipes de transmissão conseguiram ouvir e repassar ao público as instruções dadas pelos treinadores. "Sentimos muito a falta dos nossos torcedores", disse o técnico do Borussia Dortmund, Lucien Favre.

Uma das imagens pitorescas da rodada foi a dos comandados de Favre fazendo gestos coreografados com os braços, para cima e para baixo, diante do chamado "muro amarelo" do Signal Iduna Park, uma das arquibancadas mais conhecidas e intimidadoras do futebol europeu.

Eles costumam ser seguidos por 25 mil pessoas, que lotam aquele setor do estádio. No sábado, após a goleada por 4 a 0 no clássico sobre o Schalke 04, havia apenas dois funcionários do clube os acompanhando na saudação.

Favre observou em seguida que talvez a única vantagem para os treinadores é que os atletas não podem dizer que não ouvem suas orientações.

A volta do Campeonato Alemão deu aos técnicos a chance de influir mais no andamento das partidas com substituições. Com a autorização da Fifa, cada time pode fazer cinco mudanças, em vez das três rotineiras. Nem todos aproveitaram a oportunidade.

Das 16 equipes que entraram em campo entre sábado e domingo, 11 usaram as cinco alterações autorizadas. O Wolfsburg só fez as tradicionais três trocas na vitória por 2 a 1 sobre o Augsburg.

Guerreiro marca o seu segundo gol na vitória do Borussia Dortmund sobre o Schalke por 4 a 0 - Martin Meissner 16.mai.2020/Reuters

As novidades apareceram muito mais fora de campo, nos protocolos sanitários, do que dentro, com a bola rolando. Foram 22 gols marcados em oito jogos, média de 2,75. Nesta segunda (18), Werder Bremen e Bayer Leverkusen fecham a rodada.

São números parecidos aos da última rodada realizada antes da paralisação, entre 6 e 8 de março.
Na época, foram 24 gols em nove partidas. Média de 2,66.

Os resultados também foram os esperados. Apesar de enfrentar o seu maior rival e sem o apoio da torcida, o Borussia Dortmund venceu e se manteve na briga pelo título. O Bayern de Munique, campeão nos últimos sete anos, ganhou do Union Berlim fora de casa e manteve os quatro pontos de vantagem na ponta.

No lado oposto da tabela, o confronto entre Paderborn (lanterna) e Fortuna Dusseldorf (penúltimo colocado) terminou empatado em 0 a 0. São os dois piores ataques da elite alemã, não por acaso.

Se o retorno do futebol no país foi repleto de curiosidades causadas pelos cuidados com a Covid-19, o desempenho em campo pouco mudou. A diferença esteve no que não pode ser mensurado, no clima da partida e na falta de emoção causada pelos estádios vazios.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.