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Toque de recolher cai, e público vê Djokovic impor a Nadal sua 3ª derrota em Roland Garros

Sérvio vence duelo histórico contra o espanhol 13 vezes campeão para ir à decisão do torneio

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São Paulo

Em um dos duelos mais emblemáticos da história do confronto, com várias alternâncias de placar, alto volume de melhores momentos e até uma inesperada mudança de decisão governamental causada pela partida, Novak Djokovic venceu Rafael Nadal de virada nas semifinais de Roland Garros, por 3 sets a 1 (3/6, 6/3, 7/6 e 6/2), nesta sexta-feira (11).

Na decisão de domingo (13), ele enfrentará Stefanos Tsitsipas, que bateu Alexander Zverev em cinco sets, em busca do seu segundo troféu no torneio. O grego jogará sua primeira final nesse nível.

É apenas a terceira vez que o espanhol, dono de 13 títulos no saibro de Paris e 20 no total em Grand Slams (recorde masculino ao lado de Roger Federer), sofre uma derrota na competição.

As outras foram para o sueco Robin Soderling, nas oitavas de final em 2009, e para o próprio sérvio, nas quartas de final em 2015. Em 2016, ele precisou desistir antes da terceira rodada por causa de uma lesão. Em todas as outras participações desde 2005, saiu vencedor.

Foi a 58ª vez que Nadal, 35, e Djokovic, 34, se enfrentaram (maior número de um confronto no circuito masculino), e o conhecimento que cada um possui sobre os pontos fortes e fracos (raros) do outro ficou evidente durante as 4 horas e 11 minutos em que estiveram dentro da quadra Philippe Chatrier, a principal do complexo de Paris.

Às 22h40 horas locais, após o terceiro set, seria preciso esvaziar a arena (com público de até 5.000 pessoas liberado) para respeitar o toque de recolher imposto na capital francesa por causa da pandemia de Covid-19.

Djokovic leva a mão ao ouvido para pedir interação com o público
Novak Djokovic vibra e interage com o público, que pôde permanecer até o fim - Martin Bureau/AFP

Os milhares de espectadores e fãs empolgados, que ajudaram a criar um clima de alta voltagem para o espetáculo em quadra, já se preparavam para protestar contra a ordem quando foi anunciado pelo locutor que um acordo com as autoridades permitiu que o público permanecesse até o fim da partida dado "o caráter absolutamente excepcional das circunstâncias".

As vaias engatilhadas se transformaram em vibrações parecidas com as proporcionadas pelos dois atletas.

Para chegar à 30ª vitória da rivalidade, o número 1 do mundo se movimentou e movimentou o espanhol com eficiência, impedindo que ele ficasse à vontade para ditar os pontos com seu poderoso forehand. Também fez o que faz de melhor, pressionando o serviço do oponente por meio de suas devoluções de saque precisas.

Em um primeiro set de 59 minutos, Djokovic poderia ter começado o jogo quebrando o saque de Nadal. O espanhol poderia ter aplicado um pneu (6 a 0) da mesma forma que fez na final do ano passado. O sérvio ainda reagiu e poderia ter complicado a vida do rival quando este sacou para fechar a parcial pela segunda vez.

As possibilidades que cabem em uma hora de um duelo como esse são inúmeras, mas o que de fato aconteceu foi Nadal vencer —após sete set points— por 6/3, placar padrão que esconde na superfície dos números um jogo repleto de alternâncias de momentos espetaculares e vulneráveis de ambos os tenistas.

Como definiu Andy Murray, que tão bem conhece os dois, em uma publicação no Twitter durante a partida: "Você não pode jogar melhor em quadra de saibro do que isso. É perfeito".

No segundo set, Djokovic conseguiu começar com quebra, viu o espanhol devolvê-la logo no game seguinte, mas voltou a abrir vantagem. O sérvio ainda fechou a porta em cinco break points para o adversário e se manteve na ponta para triunfar pelo mesmo 6/3, embora com roteiros bem distintos.

As principais estatísticas mostravam desempenhos parecidos no início da terceira parcial, mas o momento apontava para uma leve superioridade de Djokovic, tecnicamente e mentalmente, o que o levou a conseguir a primeira quebra.

Após o sérvio fazer um ponto espetacular para salvar seu saque e ver Nadal devolver com outro para quebrá-lo, ele conseguiu voltar à frente vencendo de zero um game de saque do rival. O espanhol, porém, saiu das cordas quando Djokovic sacava para o set e cresceu em quadra para igualar o placar.

A montanha-russa levava a crer que qualquer um poderia levor a melhor no tiebreak, e foi Djokovic, superior nos detalhes durante a maior parte do jogo, quem prevaleceu.

No quarto set, Nadal ensaiou reagir quebrando o saque do sérvio, que voltou a tomar as rédeas do jogo para fechar em 6/2 contra um espanhol já abatido.

Rafael Nadal deixa a quadra frustrado após a sua terceira derrota em Roland Garros
Rafael Nadal deixa a quadra frustrado após a sua terceira derrota em Roland Garros - Martin Bureau/AFP

"O maior jogo que já joguei aqui em Paris. Também o melhor jogo com o melhor ambiente para os dois jogadores. Para vencer o Rafa nesta quadra você tem que jogar seu melhor tênis, e esta noite eu joguei meu melhor tênis", disse Djokovic. "Você sabe que tem que escalar o Monte Everest para vencer esse cara aqui."

Ele acertou 50 bolas vencedoras e cometeu 37 erros não forçados, contra 48 e 55, respectivamente, do adversário. Das 22 chances de quebra, aproveitou 8 (36%), aproveitamento ligeiramente menor que os 38% (6 em 16) do espanhol.

"Não é um momento para ficar satisfeito. Mas não é um momento para criar drama. Você pode ficar no meio disso", declarou o 13 vezes campeão.

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