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30/06/2005 - 21h39

Jefferson diz que "mensalão" passou a ser sacado em agência de shopping

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FELIPE RECONDO
da Folha Online, em Brasília

O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) afirmou nesta quinta-feira, em depoimento à CPI dos Correios, que o dinheiro supostamente pago à base aliada em troca de apoio político passou a ser sacado em um agência do Banco Rural no 9º andar do Brasília Shopping. Segundo ele, o novo endereço passou a ser utilizado depois que a entrega do dinheiro em malas passou a ser arriscado.

Os integrantes da comissão deverão solicitar o registro das pessoas que estiveram no local desde janeiro de 2003.

Sérgio Lima/FI
Roberto Jefferson depõe com o olho roxo e inchado
Roberto Jefferson depõe com o olho roxo e inchado
O deputado foi poupado pela maioria dos integrantes da oposição. Falou sob o silêncio dos integrantes da comissão e foi tratado por parlamentares do PPS, PDT, PFL e PSDB como um acusador. O primeiro confronto aconteceu com deputado Henrique Fontana (PT-RS), o primeiro da base governista a usar da palavra.

Até então, o depoimento corria sem acusações ou troca de insultos. Fontana elevou o tom em seu discurso de dez minutos com apenas uma pergunta. "Para ter coragem, o senhor deveria assumir que participou do esquema de corrupção nos Correios", afirmou o deputado petista sobre a declaração do ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal Maurício Marinho de que Jefferson seria avalista do esquema de corrupção na empresa.

"Estou na frente de um homem que mentiu muito", continuou. "Vossa Excelência foi da tropa de choque do governo mais corrupto deste país", disse Fontana sobre o período em que Jefferson tomou a frente da defesa do governo Fernando Collor.

Bicheiros

A resposta de Jefferson foi ainda mais incisiva. "Penso que na minha trajetória de vida fui mais coerente que Vossa Excelência. Eu não cuspo nas minhas bandeiras de luta", afirmou em crítica à política econômica do governo Lula, supostamente diferente do que o PT sempre defendeu.

"O meu partido jamais teve financiamento de bicheiros", acrescentou Jefferson sobre o suposto envolvimento do PT gaúcho em 2001 com o jogo do bicho em Porto Alegre.

O presidente da CPI, o líder do PT, Delcídio Amaral (MS), não permitiu que Fontana retomasse a palavra para responder às acusações. E Jefferson, para fechar a briga, preferiu não responder a pergunta sobre a possibilidade de transferência de dinheiro irregular para a campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso.

Abin

O petebista atacou a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que segundo ele é a verdadeira mandante da gravação feita no Correios e chamou o publicitário Marcos Valério de Souza de "versão moderna e macaqueada de PC Farias [tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello]".

Jefferson tentou desqualificar a gravação divulgada pela revista "Veja", em que o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho aparece recebendo R$ 3.000 e afirmando que operava com o aval do deputado. "A fita é ilegal. Como diz a legislação americana, a prova é envenenada", declarou. O deputado também acusou a publicação de ter editado a gravação.

Em sua fala, ele contestou a versão do empresário Arthur Wascheck, que admitiu à comissão que encomendou a gravação. Jefferson atribuiu a gravação ao "braço sujo da Abin".

Contradição

O deputado entrou em contradição ao comentar a conversa que teve com o consultor Arlindo Molina em seu gabinete, em abril, ao tratar da fita. Ao Conselho de Ética, ele disse ter sido chantageado por Molina. Desta vez, Jefferson mudou a versão. "Ele não me chantageou nem me ameaçou", afirmou.

Segundo o primeiro relato do deputado, feito no Conselho de Ética, o consultor teria pedido dinheiro para entregar a fita em que o nome de Jefferson é citado como avalista do suposto esquema de corrupção na estatal. Nesta quinta-feira, em seu depoimento à CPI, Jefferson afirmou que Molina teria ido a seu gabinete para falar sobre a existência da fita e teria sido expulso da sala.

Jefferson iniciou seu depoimento à CPI usando um tom intimidador ao falar sobre o financiamento de campanha. "Eu trouxe aqui, senhores senadores e senhores deputados, porque peguei na Justiça Eleitoral todas as prestações de contas. A minha e a dos senhores na Justiça Eleitoral"

O deputado comentou ainda que a declaração dos congressistas não correspondem à realidade de campanha. "Não há eleição de deputado federal que custe menos de R$ 1 milhão ou R$ 1,5 milhão, mas a média aqui da CPI da Câmara dos Deputados, a prestação de contas é de R$ 100 mil."

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