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25/09/2006 - 09h00

Chapada do Araripe vira parque geológico

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KAMILA FERNANDES
da Agência Folha

Um projeto do Ceará foi aprovado na semana passada pela Unesco para ser o primeiro a receber o selo de geoparque no hemisfério Sul. Isso significa uma área de proteção especial a riquezas geológicas e paleontológicas, com reconhecimento internacional.

A decisão foi tomada em Belfast, Reino Unido, no encontro técnico dos coordenadores da rede mundial de geoparques.

Existem hoje, no mundo, 37 parques desse tipo --25 na Europa e 12 na China--, que começaram a ser montados em 2001.

O geoparque cearense será sediado na chapada do Araripe, no sul do Estado, onde há mais de um terço de todos os pterossauros (répteis alados) descritos no planeta e mais de 20 ordens diferentes de insetos fossilizados, com idade estimada entre 70 milhões e 120 milhões de anos. A implementação do projeto deverá começar ainda em novembro.

O Geoparque Araripe inclui uma área de 10 mil km2, onde serão construídas nove unidades de conservação, os chamadas geótopos. Até agora, o Estado investiu cerca de R$ 3 milhões no projeto. Já estão prontos, no local, alguns painéis explicativos e o terreno para a construção da infra-estrutura para visitações.

A Unesco não dará dinheiro para a implementação do projeto, mas visibilidade. A intenção do governo cearense, com o parque, é atrair o turismo científico para a região-- que hoje sofre com prostituição infantil e tráfico de fósseis.

Entre os atrativos do geoparque está um acervo de cerca de 7.000 fósseis, avaliado em US$ 20 milhões e exposto no Museu de Paleontologia de Santana do Cariri (570 km de Fortaleza), que recebe 20 mil visitantes por ano.

Para aprovar um geoparque, a Unesco estabelece alguns requisitos de avaliação, entre eles: 1) o valor científico das rochas e dos fósseis; 2) a contribuição para o desenvolvimento socioeconômico da região escolhida; 3) a possibilidade de contribuir para a formação de alunos nas geociências.

Os fósseis da chapada do Araripe reconstroem a quebra do supercontinente de Gonduana (que unia todas as terras emersas do Sul), completada há cerca de 120 milhões de anos. Fósseis do peixe Dastilbe, encontrados tanto na África quanto no Ceará, são tidos como uma prova de que ambos os continentes eram unidos.

Além dos pterossauros, foram descritos na região pelo menos dois dinossauros, o Santanaraptor e o Irritator.

O projeto geoparque foi concebido em parceria com o governo alemão, pelo Serviço Acadêmico de Intercâmbio e por fundos do Ministério Alemão para a Cooperação.

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