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06/08/2006 - 10h20

Polícia de São Paulo protegeu carrasco nazista

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MARIO CESAR CARVALHO
LEANDRO BEGUOCI
da Folha de S.Paulo

A polícia de São Paulo deu proteção por mais de um ano a um criminoso de guerra, acusado de ter participado da morte de cerca de 30 mil judeus. O protegido era o capitão e aviador Herbert Cukurs (1900-1965), apontado por sobreviventes como um dos comandantes de dois massacres que os nazistas executaram em Riga, na Letônia, em 1941, nos quais morreram 25 mil judeus.

A proteção policial a Cukurs [pronuncia-se Tsucurs] está documentada em um dossiê encontrado no arquivo do Dops (Departamento de Ordem Política e Social da polícia) pelo historiador Erick Godliauskas Zen, de 26 anos, estudante de pós-graduação na USP (Universidade de São Paulo).

A própria cronologia do dossiê é reveladora. A polícia política de São Paulo fez o dossiê porque Cukurs havia sido apontado como criminoso de guerra por dois sobreviventes dos campos de extermínio nazistas: Frida Schmuskovits e Josef Gavrowski.

O curioso é que o depoimento do acusado é tomado antes mesmo de a polícia saber quais eram as acusações que pesavam contra ele. O Dops ouviu Cukurs no dia 6 de junho de 1960 e só no dia seguinte tomou o depoimento de Frida e Josef.

Frida contou à polícia que Cukurs fez parte de duas organizações "fascistas" da Letônia, a Perkonkrust e a Aizsargi. Sobre os massacres de 10 mil e 15 mil judeus, relatou que "essa matança era feita por ordem de Herbert Cukurs, que era chefe da Perkonkrust".

A historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, professora da USP que escreveu o clássico "O Anti-Semitismo na Era Vargas", afirma que os documentos encontrados no arquivo do Dops são importantes por causa desses depoimentos. "Os sobreviventes relatam os crimes e a polícia não faz nada. Houve um acobertamento do governo brasileiro em relação aos nazistas que durou de 1946 até o fim da ditadura militar, em 1985."

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