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12/06/2000 - 22h04

FHC ofereceu ajuda federal a Garotinho quando polícia tentava dominar assaltante

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da Folha de S.Paulo

O presidente Fernando Henrique Cardoso ofereceu ajuda federal ao governador Anthony Garotinho quando a polícia do Rio de Janeiro ainda tentava dominar o assaltante que ameaçava matar reféns na zona sul do Estado. A tensão com o episódio alterou a rotina do Planalto.

FHC acompanhou parte da transmissão ao vivo do drama dos reféns. Ele foi acionado pelo ministro Alberto Cardoso, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. As cenas do sequestro foram vistas na maioria dos gabinetes do Palácio do Planalto.

FHC manifestou sua solidariedade aos reféns e suas famílias, por meio de nota lida na noite desta segunda-feira (12) pelo porta-voz do Palácio do Planalto, Georges Lamazière.

A nota é a seguinte: "O presidente da República acaba de assistir chocado, como toda a população brasileira, às cenas de um longo sequestro na cidade do Rio de Janeiro".

"O presidente gostaria inicialmente de manifestar sua solidariedade aos reféns e às suas famílias pelos momentos de angústia vividos hoje".

O presidente, por meio do porta-voz, disse que "esse fato lamentável reforça a necessidade de se unirem todos, sociedade e governo, governo federal e governos estaduais, para enfrentarem juntos a ameaça da violência, do crime e das drogas aos nossos filhos e às nossas famílias".

O ministro da Justiça, José Gregori, disse ter ficado "chocadíssimo" com o drama dos reféns. Sua primeira atitude foi telefonar a FHC, que, àquela altura, já havia entrado em contato com o governador do Rio.

Garotinho dispensou a ajuda federal e tranquilizou o presidente. Ele disse estar confiante na ação da polícia, que, segundo ele, estaria usando técnicas apropriadas para imobilizar o assaltante.

A violência nas grandes cidades é o principal alvo do Plano Nacional de Segurança Pública em elaboração pelo governo federal, mas ainda sem data para ser anunciado.

Violência

O sequestro do ônibus teve início no mesmo momento em que Garotinho dava uma palestra sobre a cobertura que a mídia faz da violência e sobre a política de segurança do Estado para jornalistas brasileiros e internacionais no 53º Congresso Mundial de Jornais no hotel Intercontinental, em São Conrado, zona sul do Rio.

Do congresso, Garotinho deveria ter ido diretamente para a convenção do PDT, no centro da cidade, onde o partido homologaria a candidatura de Leonel Brizola para a Prefeitura do Rio.

Em vez disso, ele foi para seu gabinete no Palácio Guanabara, sede do governo, em Laranjeiras, para ter informações mais detalhadas sobre o sequestro. Segundo sua assessoria de imprensa, Garotinho ficou em seu gabinete acompanhando a ação da polícia contra o sequestrador.

Garotinho, segundo sua assessoria, ficou o tempo todo em conexão direta com o secretário de Segurança Pública, Josias Quintal, que, por sua vez, estava no seu gabinete em conexão com o coronel da PM José Penteado, comandante do Bope (Batalhão de Operações Especiais).

Garotinho chegou a dizer que Quintal iria acompanha a ação diretamente do local, mas, segundo sua assessoria, foi avaliado que isso não seria necessário por ser o coronel Penteado especialista nesse tipo de ação.

Às 18h30, a assessoria de Garotinho informou que Quintal estava se dirigindo ao Palácio Guanabara para acompanhar a ação ao lado do governador. A assessoria informou que Garotinho só voltaria às suas atividades após o desfecho do sequestro do ônibus.

ACM

O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), considerou o assalto no Rio "um fato da maior gravidade" e voltou a defender a participação das Forças Armadas nas ações de segurança pública. "Não dá mais para brincar com a segurança do país. Isso vai acabar acontecendo também com as autoridades, por mais segurança que elas tenham."

ACM quer que o governo "tome as providências" para coibir fatos como esses, entregando a segurança pública aos militares. "É evidente que os chefes militares não gostam dessa idéia porque eles se acostumaram a uma situação. Mas temos que repensar o papel das Forças Armadas para que elas possam não faltar em horas como essas", disse.

Leia mais sobre o ônibus sequestrado no Rio na Folha Online

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