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25/06/2000 - 19h38

Família de refém morta em sequestro de ônibus se reúne com governador do Rio amanhã

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AURÉLIO GIMENEZ, da Folha de S.Paulo, da Sucursal do Rio

A família da professora Geísa Firmo Gonçalves, que morreu no sequestro do ônibus da linha 174, no Jardim Botânico, no Rio, há 15 dias, tem um encontro na manhã desta segunda-feira (26) com o governador Anthony Garotinho, no Palácio Guanabara.

Antes da audiência com o governador, o advogado da família, Delano Cruz, terá um encontro com a delegada Martha Rocha, da 15ª DP, responsável pelo inquérito que apura o sequestro.

O advogado pretende assistir o depoimento do PM Marcelo dos Santos, do Bope (Batalhão de Operações Especiais), que realizou o ataque sobre o sequestrador, resultando na morte da professora.

Cruz afirmou que pedirá à delegada a reconstituição do crime, a fim de esclarecer as reais circunstâncias da morte de Geisa. Segundo ele, o laudo é falho e não confirma se a professora foi atingida na cabeça por um projétil.

"Se for necessário também pedirei a exumação do corpo de Geisa, pois são informações necessárias para a ação de indenização contra o Estado", afirmou.

Cruz, o gráfico Gilson Gonçalves, e a professora Maria Elizângela Firmo Ferreira, pai e irmã de Geisa, estão na cidade desde sexta-feira à noite. O grupo veio ao Rio com as despesas pagas pela produção do programa "Domingão do Faustão".

Eles se hospedaram num hotel em Ipanema (zona sul). No sábado foram até o local do sequestro, na Avenida Jardim Botânico, e visitaram a creche onde Geísa trabalhava, na Rocinha.

Neste domingo, Gonçalves e Maria Elizângela participaram do programa dominical da TV Globo. Os dois devem retornar amanhã à noite para Fortaleza. O advogado fica no Rio até amanhã, a fim de ajuizar a ação de reparação por perdas e danos morais e materiais.

"Vamos pedir ao Estado uma indenização de R$ 900 mil. Conforme estudo técnico e jurídico, o valor é baseado na idade e expectativa de vida ativa da vítima e quanto que ela produziria neste período", disse Cruz.

Ainda na Rocinha, o pai e a irmã de Geisa confirmaram que doarão parte do dinheiro da indenização para o projeto Curumim, que ajuda os menores da favela e no qual Geisa trabalhava como professora de artesanato.

No local, Maria Elizângela pegou no colo a menina Jéssica, de 1 ano e quatro meses, neta da dona de casa Damiana, uma das vítimas do sequestro.

Outra parte da indenização será utilizada para criar a Fundação Geisa, em Fortaleza, que também atenderá crianças carentes. "É uma forma de manter viva a memória e o trabalho que minha irmã vinha fazendo com essas crianças", afirmou Maria Elizângela.

O advogado da família disse desconhecer a intenção do companheiro de Geisa, Alexandre Magno de Macedo Oliveira, de também reivindicar direito à indenização.

Segundo Cruz, ele tem uma procuração, registrada num cartório de Fortaleza, nomeando-o o representante legal tanto da família quanto de Alexandre.

"Alguém está querendo se aproveitar da situação e da ingenuidade de Alexandre. Inventaram que poderia ser feito algum acordo durante o encontro com o governador. Mas não há nada disso. Vamos apenas conversar com o governador. A indenização será pedida na Justiça", afirmou Cruz.

De acordo com o advogado, para efeitos sucessórios apenas o pai têm direito à indenização. O pai de Geisa disse que os dois não chegaram a casar no civil e que moravam juntos há um ano, desde quando vieram para o Rio de Janeiro.

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