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07/05/2008 - 08h50

Novo instituto do câncer irá atender planos de saúde

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CLÁUDIA COLLUCCI
CINTHIA RODRIGUES
da Folha de S.Paulo

Inaugurado ontem, o Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira deve começar a atender pacientes de planos de saúde até o final do ano. Por lei, a instituição pode ter até 20% dos leitos ocupados por doentes da rede privada de saúde --80% devem ser do SUS.

A direção do instituto avalia que os pacientes de convênios médicos possam representar uma receita adicional ao instituto, que terá 580 leitos e um custo anual de R$ 190 milhões. Inicialmente, a previsão é que 5% dos atendimentos no hospital --o maior centro oncológico da América Latina- sejam privados, assim como ocorre hoje no complexo do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Esse modelo de assistência também é adotado por renomadas instituições oncológicas internacionais, segundo o oncologista Paulo Hoff, diretor-clínico do instituto. O MD Anderson, por exemplo, é um hospital público, localizado em Houston, Texas (EUA), e que atende a pacientes privados de todo o mundo.

"Nossa idéia é que esse instituto seja para os pacientes de São Paulo. Se eles têm ou não convênio, não vamos discriminá-los por isso. Nosso foco é o paciente do SUS, mas certamente o paciente conveniado será bem-vindo", afirma Hoff, também oncologista do hospital Sírio-Libanês.

O médico estima que de 20% a 30% da população paulista tenha convênio médico e possa ter interesse em ser atendida no instituto. "Se ele [paciente] tem convênio, por que não aproveitar que essa renda ajude na manutenção do hospital?"

Outra novidade do instituto é o fato de ele passar a ditar as condutas do atendimento oncológico no Estado de São Paulo, segundo o médico Giovanni Cerri, diretor-geral do instituto. Uma equipe médica do hospital já está revisando as rotinas de tratamento oncológico na rede pública, modernizando os protocolos e atualizando as condutas médicas. "O instituto assume uma liderança no tratamento do câncer no Estado."

Paulo Hoff afirma que anualmente serão elaborados manuais de condutas com o que há de mais atualizado e validado no tratamento do câncer. Eles serão então repassados aos profissionais de outros serviços públicos que atendem pacientes com câncer.

Inauguração

Ontem, durante a inauguração do instituto, o governador José Serra (PSDB) enfatizou a mudança qualitativa e quantitativa no atendimento do câncer "na cidade de São Paulo, no Estado e no país". "Vamos multiplicar por três o número de vagas públicas [para o tratamento do câncer em SP]."

Luiz Roberto Barradas Barata, secretário de Estado da Saúde, lembrou que o instituto começou a ser construído há mais de 19 anos e que foram necessários cinco governos para conseguir finalizá-lo, equipá-lo e colocá-lo em funcionamento.

O investimento na obra supera R$ 300 milhões, segundo o secretário. "Agora temos de botar para funcionar esse gigante. O desafio é enorme." Para ele, o instituto representa um marco na saúde pública paulista, como representou há 30 anos a criação do InCor (Instituto do Coração).

O vice-presidente José Alencar (PRB) disse que falaria do instituto como uma pessoa que entende do assunto. "Já passei por muitas cirurgias [só na região do retroperitônio foram três cirurgias para a retirada de tumores]. É excepcional a satisfação de estar participando hoje da inauguração deste hospital. É São Paulo dando exemplo mais uma vez."

Em suas falas, Serra, Barradas, Alencar e demais autoridades presentes na inauguração prestaram uma homenagem ao patrono do hospital, Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha morto em abril de 2007.

"Sr. Frias era desprovido de vaidade, não se sensibilizava com homenagens. Mais do que satisfeito por ter seu nome neste hospital, ele estaria hoje feliz pela obra colossal que é entregue finalmente à população", disse a filha Maria Cristina Frias, agradecendo a homenagem em nome da família Frias.

 

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