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06/06/2003 - 19h05

Laudo indica presença de sais solúveis de bário no Celobar

da Folha Online
da Folha de S.Paulo, no Rio

Análise preliminar do Instituto de Controle de Qualidade em Saúde, da Fiocruz, detectou a presença de "grande quantidade" de substâncias tóxicas no lote nº 3040068 do contraste Celobar, utilizado para destacar órgãos em exames de raio-X. O medicamento é suspeito de ter causado 21 mortes no país.

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), foram encontradas grandes quantidades de carbonato de bário --utilizado em venenos para ratos-- e sulfeto de bário --subproduto do carbonato, também altamente tóxico-- nas amostras do lote. As substâncias são sais solúveis de bário que, absorvidas pelo organismo, podem causar intoxicação e levar à morte.

Os responsáveis pelo laboratório fabricante do Celobar teriam adulterado a matéria-prima do contraste, substituído um dos componentes do medicamento para reduzir custos. Porém, de acordo com a Anvisa, a indústria farmacêutica não tem capacidade para fazer a transformação das substâncias em sulfato de bário, insolúvel e que pode ser usado em medicamentos por não ser absorvido pelo organismo.

As mortes associadas ao Celobar ocorreram em cinco Estados: Goiás (15), Bahia (3), Minas Gerais (1), São Paulo (1) e Maranhão (1).

Investigação

O laudo preliminar é mais um elemento da investigação e complementa a inspeção realizada nos dias 3 e 4 de junho no laboratório Enila pela Anvisa e pela Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro.

Os inspetores detectaram que o estoque de matéria-prima de origem comprovada era menor que a quantidade de lotes fabricados do produto.

Na inspeção, foi constatado ainda, que a empresa comprou 600 quilos de carbonato de bário de um distribuidor carioca, posteriormente "modificado" em sulfato de bário. "O problema é que a indústria farmacêutica não dispõe de capacidade técnica operacional para garantir a pureza da substância após a transformação e o Enila não comprovou o descarte do sulfato de bário sintetizado", afirma a Anvisa.

O laudo final da Fiocruz deverá ser divulgado na próxima semana.

Outro lado

Procurado pela Folha, o dono do laboratório Enila, Márcio D'Icarahy, não foi encontrado. As tentativas de contatá-lo nos telefones do laboratório e do escritório de seu advogado, Paulo Henrique Lins, também não obtiveram sucesso.

D"Icarahy prestará depoimento ao titular da Delegacia de Repressão ao Crime Contra a Saúde Pública, Renato Nunes da Silva, na segunda-feira. Marcado para hoje, o depoimento foi transferido a pedido de Lins.

Serão apurados, de acordo com o delegado, os crimes de adulteração de medicamento, cuja pena vai de 10 anos a 15 anos de prisão, e de venda de produto impróprio para consumo, cuja pena varia de 2 anos a 5 anos.

O laboratório Enila divulgou ontem um comunicado em que anuncia que todas as matérias-primas utilizadas em seus produtos têm origem "conhecida e comprovada". A empresa informou no comunicado que está cooperando com as autoridades sanitárias.

"O Laboratório Enila está colaborando com a fiscalização do Rio de Janeiro e da Anvisa para que os fatos sejam apurados, tendo fornecido na data de ontem [anteontem] os documentos comprobatórios da origem das matérias-primas usadas na fabricação do produto Celobar", informou a nota do laboratório.


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