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13/01/2004 - 03h56

Falha técnica quase adiou a estréia da televisão

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KIYOMORI MORI
da Folha de S.Paulo

Estava tudo programado para a noite de estréia: festa no Jockey Club, presença do governador e até mesmo missa celebrada pelo bispo. Só não esperavam que uma das duas únicas câmeras existentes no Brasil quebrasse poucas horas antes de ter início a primeira transmissão da TV brasileira, em 18 de setembro de 1950.

"Foi o maior pânico. O técnico que veio dos EUA para acompanhar a estréia pediu que cancelassem a transmissão. O risco de acabar em um tremendo fiasco era grande, mas o diretor Cassiano Gabus Mendes disse que não, que tinha de continuar de qualquer jeito", conta a atriz Vida Alves, 75, que presenciou a cena dos bastidores da TV Tupi.

E foi assim, de improviso, com uma só câmera, que o programa de variedades "TV na Taba" entrou ao vivo no ar, e deu-se início às transmissões da TV brasileira.

Apresentado por Homero Silva, "TV na Taba" contou com a participação de Lima Duarte, Hebe Camargo, Mazzaropi, Ciccilo, Lia Aguiar, Vadeco, Ivon Cury, Lolita Rodrigues, Wilma Bentivegna, Aurélio Campos, do jogador Baltazar e da orquestra de George Henri.

"Ninguém tinha a menor idéia do que seria uma transmissão de TV até então, muito menos o que era o conceito "ao vivo". A gente achava que daria para espiar as atrizes nos camarotes", lembra a animada Vida, que hoje preside o Museu da TV Brasileira.

Grávida de oito meses, Vida não protagonizou o primeiro programa porque "seria muito deselegante aparecer com aquele barrigão naquela época". Mas também não deixou de comparecer na TV Tupi no dia. "Fiz questão, sabia que presenciaria um momento histórico", diz ela, que um ano mais tarde protagonizaria, junto com o ator Walter Forster (1917-1996), o primeiro beijo na TV brasileira, na novela "Sua Vida me Pertence", de 1951.

Todo o equipamento, fabricado pela RCA, havia sido importado dos EUA por Assis Chateaubriand, dono do grupo Diário Associados e da TV Tupi. Quando o material chegou a Santos, em 25 de março, uma comitiva das rádios Tupi e Difusora foi ao porto receber a parafernália, trazendo-a para um desfile no centro da capital.

Depois dos EUA, Inglaterra e França, o Brasil seria o quarto país do mundo a ter uma transmissora de televisão. "Era a grande sensação, estávamos na vanguarda, e o Brasil todo ficou curioso em relação à novidade."

A transmissão aconteceu de um estúdio montado na avenida Alfonso Bovero, onde funciona atualmente a MTV. Uma outra antena de retransmissão foi instalada no prédio Altino Arantes (onde hoje fica o Banespa, no centro de São Paulo).

Como não havia aparelhos de televisão, Chateaubriand mandou importar 200 televisores e os espalhou em lugares públicos para que as pessoas pudessem acompanhar a transmissão. O Jockey Club e o saguão do prédio da Diários Associados, na rua Sete de Abril, foram alguns dos locais escolhidos para se instalar os aparelhos públicos.

Mas o maior problema ainda estava por vir. "Quando acabou a transmissão, que durou pouco mais de uma hora, o Cassiano perguntou: "E amanhã, o que a gente vai passar?". Esse era o problema, ninguém havia pensado no dia seguinte", lembra Vida, aos risos. A solução foi buscar, em universidades e bibliotecas, filmes educativos para as transmissões, que passaram a acontecer diariamente das 18h às 23h.
 

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