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23/02/2004 - 05h34

Cenas de sexo e censura marcam carnaval da Grande Rio

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da Folha Online

Mais uma vez o carnaval assinado por Joãosinho Trinta é censurado. Para se ajustar a uma recomendação da Promotoria de Infância e Juventude de Duque de Caxias (região metropolitana do Rio), parte de dois carros alegóricos da Grande Rio foram encobertos para esconder cenas de sexo que reproduziam imagens do "Kama Sutra" (manual indiano de posições sexuais).

O livro indiano foi o mote para que a escola desenvolvesse o enredo "Vamos Vestir a Camisinha, Meu Amor...". O "Kama Sutra" enfatiza a arte e o envolvimento dos cinco sentidos --audição, tato, visão, paladar e olfato-- além da mente e da alma nos modos de praticar o sexo.

A escola abriu seu desfile tendo como inspiração a obra "O Jardim das Delícias", do pintor renascentista holandês Jeronimus Bosch (1450-1516). Na comissão de frente, os integrantes reproduziram posições sexuais. Em seguida, os carros alegóricos da escola apresentaram imagens do paraíso, com a representação do que teria sido o primeiro ato sexual.

A Grande Rio trouxe ainda alas em homenagem ao Movimento GLTBs (Gays, Lésbicas, Travestis e Bissexuais), carro alegórico falando dos prazeres nas casas noturnas e fantasias que representavam doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a Aids.

O preservativo foi destaque e esteve presente durante todo o desfile. Um exemplo disso foi a fantasia de um dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, totalmente confeccionada com preservativos.

A ala das baianas chamou a atenção e foi uma forma de driblar a censura ao "Kama Sutra". As baianas exibiram imagens do livro reproduzidas em placas aplicadas nas saias dos vestidos.

Depois de fazer uma retrospectiva histórica do uso do preservativo desde a Idade Média, a Grande Rio encerrou seu desfile fazendo uma homenagem a Abelardo Barbosa, o Chacrinha, que sempre divulgou o uso do preservativo.

O último carro da escola, em homenagem a Chacrinha, veio com nomes como o humorista Agildo Ribeiro, o assistente de palco Russo, a cantora Wanderléia e a ex-chacrete Rita Cadillac como destaques.

Muitos artistas participaram do desfile da Grande Rio. A atriz Eliane Giardini foi destaque do carro em homenagem ao "orgulho gay". O DJ Marlboro desfilou no carro das casas noturnas. A atriz Deborah Secco estreou como rainha da bateria. A atriz Suzana Vieira, a modelo Ana Hickmann e o apresentador Cazé Peçanha também vieram como destaques em carros da escola.

Na ala da diretoria estiveram presentes o diretor Jayme Monjardim, as atrizes Daniela Escobar e Christiane Torloni, o ator Raul Gazzola e o diretor de TV Wolf Maia.

Polêmicas

Esta não é a primeira vez que Joãosinho Trinta tem que fazer mudanças em suas alegorias. Em 1989, quando era carnavalesco da Beija-Flor de Nilópolis, a escola foi impedida de desfilar com a imagem de um Cristo mendigo. Para burlar a proibição, Joãosinho envolveu a estátua em plástico preto e com uma faixa "Mesmo proibido, olhai por nós".

Em 2002 a representação da história de um padre que ateou fogo às próprias partes genitais, em protesto contra a utilização de mulheres índias como presentes para os franceses, durante a invasão ao Brasil em 1612 também causou polêmica.

A Grande Rio foi para a Marquês de Sapucaí com 4.500 integrantes divididos em 33 alas.

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