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28/03/2004 - 22h14

Mecânico confessa 17 assassinatos de crianças no Maranhão

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KÁTIA BRASIL
da Agência Folha, em Manaus

A Polícia Civil do Maranhão anunciou hoje ter elucidado o caso que ficou conhecido internacionalmente como "garotos emasculados do Maranhão" com base no depoimento do mecânico de bicicletas Francisco das Chagas Rodrigues de Brito, 39.

Brito está preso preventivamente desde dezembro, acusado de matar Jonahtan Vieira dos Santos, 15. Segundo a polícia, ele confessou a autoria de 17 das 23 mortes investigadas em inquéritos abertos desde 1991. Sem advogado de defesa, o depoimento do mecânico foi acompanhado pelo Ministério Público Estadual.

Entre os 17 nomes confirmados pela polícia com mortes atribuídas a Francisco das Chagas de Brito, estão os de Eduardo Rocha da Silva, 10, Raimundo Nonato da Conceição Filho, 11, mortos entre 7 e 9 de junho de 1997, nas matas da Vila São José, no município de Paço do Lumiar.

Os crimes foram denunciados por ONGs (organizações não-governamentais) do Maranhão à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos).

Raimundo Cutrim, gerente de Segurança Pública do Maranhão, disse que o mecânico iniciou as confissões na noite de sexta, depois que a polícia localizou em sua casa, na periferia de São Luís, duas ossadas enterradas.
Uma delas foi identificada por Domingos Ribeiro como sendo de seu filho Daniel, 4, desaparecido desde fevereiro de 2003.

"Falta ele assumir ainda três mortes, mas, com a confissão em detalhes das 17 mortes, acredito que o caso está elucidado. Vamos trabalhar agora na reconstituição das mortes", afirmou o delegado Cutrim.

Investigando as mortes dos garotos emasculados desde 1997, Cutrim afirmou que apenas três mortes, que somariam o total das 23 registradas no Maranhão, não seriam de autoria do mecânico. A polícia investiga indícios de que Francisco das Chagas seja necrófago (se alimenta de cadáveres).

A confissão do mecânico pode desdobrar investigações abertas em Altamira (PA), onde ele morou de 1989 a 1993. Mas, segundo Cutrim, até o momento não há relação com o caso naquela cidade que envolve Valentina de Jesus, acusada por mortes de meninos na cidade paraense e absolvida em recente julgamento.

Ainda de acordo com Cutrim, as conclusões de novas apurações podem até inocentar pessoas que cumprem pena pelos desaparecimentos de garotos no Maranhão.

Pista

A polícia começou a cruzar o nome de Francisco das Chagas de Brito com as mortes dos garotos emasculados quando ele passou a ser o suspeito da morte de Jonahtan dos Santos.

"Quando o Jonahtan saiu de casa, ele disse que ia encontrar o Chagas", afirmou o delegado Raimundo Cutrim.

Jonahtan desapareceu de casa com uma bicicleta no dia 6 de dezembro passado. Quinze dias depois, o corpo foi encontrado enterrado numa estrada. Segundo a polícia, os demais garotos, entre 9 e 15 anos, morreram no Maranhão de forma semelhante: os corpos com sinais de tortura e órgãos genitais retirados.

Segundo Cutrim, a polícia só começou a questionar o mecânico sobre as outras mortes após a realização de uma perícia minuciosa, que contou com a realização de mapeamento de GPS (sigla em inglês para sistema de posicionamento global) e fotos aéreas.

O mapeamento identificou as localidades onde eram encontrados os corpos dos garotos, sempre a 50 m ou 200 m dos endereços onde o mecânico morou, na periferia de São Luís.

Um laudo do médico Hamilton Raposo traçou o perfil psicológico de Francisco das Chagas de Brito, segundo o qual o mecânico "apresenta uma psicopatia, não tem senso de autocrítica nem de culpa, e possui homoerotismo voltado para o infantil".
 

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