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14/05/2004 - 02h50

Tarifa válida por 2 horas começa a vigorar neste mês em SP

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ALENCAR IZIDORO
da Folha de S.Paulo

A quatro meses das eleições municipais, a prefeita Marta Suplicy (PT) vai estender a todos os usuários de ônibus e lotações da cidade de São Paulo a principal vitrine de sua administração no setor de transporte coletivo e revelar a desistência de uma promessa que tende a se tornar uma das vidraças políticas da atual gestão.

A vitrine é a implantação do bilhete único, um cartão magnético que pretende substituir os modos convencionais de pagamento da passagem (dinheiro, passe, vale-transporte) e que permitirá a todos os passageiros pegar mais de uma condução municipal no intervalo de duas horas, pagando apenas uma tarifa --R$ 1,70.



O secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, diz que, por ordem de Marta, até 31 de maio todos os paulistanos terão à disposição esse benefício, que já começou a ser testado em 2004 por estudantes e idosos. A mudança é vista por especialistas como algo histórico.

A vidraça foi revelada nesta semana por Tatto: está sepultada a promessa feita desde 2001 pela administração petista de oferecer um preço mais baixo para os deslocamentos mais curtos.

Quando ela foi anunciada, a tarifa convencional custava R$ 1,40 e a idéia era que a passagem das viagens menores, restritas entre os bairros e feitas por microônibus e miniônibus, ficasse em R$ 1.

No ano passado, esses valores foram "atualizados" para R$ 1,70 e R$ 1,40, respectivamente.

Esse modelo de bilhete único e tarifas diferenciadas norteou a licitação concluída em 2003 para selecionar viações e perueiros contratados por até dez anos.

O secretário dos Transportes afirma que a desistência de implantar a tarifa mais barata para os deslocamentos curtos, batizados de "locais", se deu por uma "mudança conceitual" -como essas medidas tendem a diminuir a receita do sistema, não sendo possível adotar as duas ao mesmo tempo, preferiu-se adotar a que fosse mais "universal".

"O usuário é mais beneficiado pela tarifa temporal [que permite deslocamentos livres em até duas horas] do que pela local [mais barata que hoje]", afirma Tatto.

Por esse "conceito", segundo ele, em vez de restringir a três baldeações os deslocamentos da tarifa de R$ 1,70, como se previa inicialmente, a prefeitura optou por não limitar o número de baldeações no intervalo de duas horas.

Tatto diz ainda que a tarifa menor entre os bairros dificultaria, no futuro, uma integração com metrô, trem e ônibus intermunicipais. A falta dessa integração imediata se dá tanto por impasses financeiros como políticos, já que Estado e prefeitura são governados por partidos diferentes e ainda não conseguiram chegar a um acordo sobre quem "perderia" mais arrecadação e teria de injetar mais recursos públicos.

Televisão

A data limite de 31 de maio para que todos os interessados possam ter seu bilhete único e tenham direito de andar por duas horas pagando R$ 1,70 foi definida após a aparição de Marta Suplicy num programa do PT na televisão.

O secretário vinha anunciando julho como prazo final. A Folha apurou que ele foi surpreendido pelas declarações de Marta na TV sobre a ampliação do sistema para todo mundo neste mês. Agora, Tatto diz apenas que "a prefeita já anunciou", "vai ter de ser".

Os usuários poderão obter seu cartão magnético individualizado em postos da SPTrans (empresa municipal que cuida do transporte) --há mais de 20 em São Paulo. Ele é gratuito, mas, em caso de perda ou furto, a segunda via custará R$ 5,10. A compra e carregamento dos créditos (mínimo de R$ 8) também estará disponível em casas lotéricas. Os detalhes de como solicitar um bilhete serão divulgados nos próximos dias.

A duração de duas horas por R$ 1,70 se refere ao tempo máximo para entrar no próximo veículo. Ou seja, após passar pela catraca, os usuários não serão retirados dos coletivos ao atingir os 120 minutos --apenas não poderão tomar uma nova condução.

Os principais beneficiados com esse sistema são os paulistanos que se deslocam por grandes distâncias. Tatto diz que apenas 5% dos passageiros pagam hoje mais de um ônibus ou lotação em cada viagem, mas que a nova regra tarifária permite desafogar a demanda reprimida dos que precisam de mais de uma condução, mas não tomam por causa do custo.

Embora seja considerado, na prática, um benefício social, esse modelo não chega a representar, na teoria, uma vantagem urbanística --já que a situação ideal é que todo mundo trabalhe mais perto da residência, e não que pague menos para continuar rodando grandes distâncias.

Já a tarifa local, mais barata, que não vai sair do papel, beneficiaria a população que faz trajetos curtos, mas que hoje paga um preço proporcionalmente mais alto pelos serviços. Ela era vista por técnicos como uma alternativa para trabalhadores que acabam andando a pé para não gastar com a condução num trecho pequeno.

A promessa de adotá-la foi anunciada desde 2001 não apenas em entrevistas, mas até numa publicação da prefeitura, com textos em português e inglês, editada e distribuída em julho de 2003, sobre as mudanças no transporte.
 

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