Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
19/05/2004 - 03h25

Bilhete único começa, mas sem integração com metrô

Publicidade

ALENCAR IZIDORO
da Folha de S.Paulo

A falta de acordo entre os governos Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) vai restringir as vantagens do bilhete único dos ônibus e lotações de São Paulo, que a prefeitura começou a divulgar ontem e que já está disponível em mais de 700 casas lotéricas e 26 postos da SPTrans -órgão municipal que cuida do transporte.

O bilhete único permite que os passageiros façam deslocamentos livres nos coletivos municipais no intervalo de duas horas, pagando uma única tarifa de R$ 1,70.



Ao menos por enquanto, esse cartão magnético, que armazena créditos a partir de R$ 8,50, não poderá ser usado nos sistemas de transporte estadual --metrô, trens e ônibus intermunicipais-- pela falta de equipamentos compatíveis entre os dois sistemas.

Dessa forma, as atuais tarifas integradas ônibus/metrô e ônibus/ trem (que custam R$ 3,15, um desconto de R$ 0,45 em relação aos valores unitários) serão mantidas, mas para quem não for usuário do bilhete único. Somente na rede de metrô há 35 mil viagens desse tipo diariamente.

Essa falta de integração se dá em razão da indefinição sobre quem bancaria um investimento de R$ 14 milhões --custo da instalação de validadores eletrônicos em todas as estações do Metrô e da CPTM. Esse montante é inferior a 10% da arrecadação mensal dos ônibus e lotações municipais e a 15% da receita da rede do Estado.

"É uma responsabilidade deles", afirmou Jilmar Tatto, secretário dos Transportes da gestão Marta Suplicy, que aproveitou a cerimônia de lançamento do bilhete único para criticar a demora do governo tucano na implantação de um cartão semelhante ao da prefeitura. "Eles estão tentando fazer há uns dez anos."

Segundo Renato Viegas, diretor de planejamento e expansão da Secretaria de Transportes Metropolitanos, esse cartão do Estado, batizado de Metropass, deve ser implantado no decorrer de 2005, sendo compatível com a tecnologia do bilhete único municipal.

Viegas diz que a prefeitura havia se comprometido a repassar às empresas de ônibus e perueiros as despesas pela instalação dos validadores eletrônicos, mas recuou em fevereiro por avaliar que os custos eram maiores que a previsão. O Estado, diz ele, precisaria lançar uma licitação para fazer uma contratação desse tipo, levando um tempo que coincidiria com a implantação do Metropass.

Pane

A disponibilização do bilhete único para todos os interessados a partir desta semana chegou a provocar dificuldades ontem para comprar os créditos nas casas lotéricas. Tatto alegou que a pane foi motivada por sobrecarga.

"Estamos fazendo ajustes. Pode haver sobrecarga em razão do lançamento do cartão. A gente pede paciência", afirmou.

Os passageiros continuam podendo pagar a passagem com dinheiro, mas, nesse caso, não terão direito à vantagem do bilhete único de fazer as baldeações gratuitas no intervalo de duas horas.

Essa duração se refere ao tempo máximo para entrar no próximo veículo. Ou seja, após passar pela catraca, os usuários não serão retirados dos coletivos ao atingir os 120 minutos --apenas não poderão tomar uma nova condução sem pagar nova passagem.

O cartão magnético do bilhete único é gratuito, mas deve ser adquirido com um crédito mínimo de R$ 8,50. Pelas regras iniciais, que ainda vigoram em algumas lotéricas, esse valor seria de R$ 8, mas a prefeitura decidiu fazer a mudança para que ele seja equivalente a cinco passagens.

Também houve alteração nos últimos dias no valor a ser cobrado pela segunda via do cartão --em caso de perda ou roubo. A prefeitura dizia inicialmente que ele seria de R$ 5,10, mas anunciou ontem uma taxa de R$ 11,90 (exceto para idosos e estudantes, cujas regras são diferenciadas).

Tatto alega que a intenção foi evitar fraudes e diz que os usuários podem adquirir um novo cartão gratuito --sem conseguir, porém, fazer a transferência dos créditos daquele que foi perdido ou roubado. A segunda via vale a pena somente para quem perdeu ou teve roubado um bilhete com créditos superiores a R$ 11,90.

A prefeita Marta Suplicy aproveitou para anunciar ontem que, dentro de até três meses, não haverá mais vans ou peruas regulamentadas no sistema de transporte municipal --esses veículos já vinham sendo substituídos por miniônibus e microônibus, considerados mais seguros.

Ela afirmou que a implantação do bilhete único também trará mais segurança contra assaltos porque haverá menos dinheiro com os cobradores.
 

Publicidade

Publicidade

Publicidade


 

Voltar ao topo da página