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19/03/2006 - 08h56

"Fantástico" exibe documentário sobre tráfico juvenil

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LAURA MATTOS
da Folha de S. Paulo

O "Fantástico" desta noite será tomado por 16 meninos que trabalham para o tráfico de drogas. O programa da Globo exibirá um documentário de 58 minutos sobre jovens operários do crime, marcado por cenas da intimidade de crianças com metralhadoras, granadas, maconha e cocaína.

"Falcão - Meninos do Tráfico" resulta de 217 horas de imagens captadas pelo rapper carioca MV Bill e seu empresário, Celso Athayde, ao longo de seis anos, em favelas de vários Estados.

Falcão é o nome dado aos que têm a função de vigiar a favela e avisar os traficantes quando a polícia ou qualquer outro "inimigo" se aproximar. "Falcão não dorme, ele só descansa", explica um deles.

Dos 16 personagens centrais, 15 foram assassinados e tiveram seus enterros registrados pelas câmeras. O sobrevivente chegou a ser empregado pelos produtores, mas voltou "à atividade" e, de acordo com as últimas informações obtidas por eles, está preso.

O objetivo agora é encontrá-lo para uma nova fase de gravações, já que, em 12 de outubro, Dia da Criança, "Falcão" será lançado nos cinemas em forma de longa-metragem.

Também faz parte do projeto "Meninos do Tráfico" o lançamento de um livro, amanhã, com os bastidores das filmagens, e de um CD de MV Bill, em maio. "Falcão" vai ao ar num momento em que se discute a ocupação dos morros cariocas pelo Exército e, por isso, em hora "oportuna", segundo Athayde.

Apesar de ter sido registrada pelo documentário bem antes disso, a declaração de um garoto com arma em punho é reveladora: "Pode vir alemão, Aeronáutica, Exército, Marinha, o que for, que nós 'vai' cair pra dentro. Nós 'tem' que proteger os moradores, nosso morro, nossa favela."

O material é legendado e traz a tradução de gírias, como "arrego = propina". Algumas poucas cenas foram gravadas em câmera VHS, mas a maioria é digital. Os ambientes são escuros e, em razão do risco, nada foi feito com grandes equipes, como as da TV.

Em alguns casos, os próprios meninos registravam imagens ou colaboravam com a produção ao posicionar o microfone de lapela em suas metralhadoras. O documentário não tem narração, e o "Fantástico" exibirá na seqüência os 58 minutos (metade da duração do programa, descontando os comerciais).

Serão três blocos, cortados apenas por intervalos e não por outras reportagens. Há 33 anos no ar, o dominical jamais dedicara tanto espaço a uma produção independente.

Especial
  • Leia a íntegra desta reportagem na versão impressa da Folha
  • Leia o que já foi publicado sobre o "Fantástico"

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