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12/05/2006 - 10h13

"Cidadão Brasileiro" retrata PT no poder, diz autor

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JAMES CIMINO
da Folha Online

O horário eleitoral já começou na Record. Trata-se da disputa pelo poder na fictícia cidade de Guará, principal locação da trama "Cidadão Brasileiro", de Lauro César Muniz --o folhetim tem alcançado médias de 13 a 14 pontos de audiência no Ibope.

Na novela, os habitantes da cidade dividem suas atenções entre os candidatos Antônio Maciel (Gabriel Braga Nunes, o protagonista), do "partido dos gambás", e Atílio Salles Jordão (Floriano Peixoto), do "partido dos perfumados". Desde que começou a disputa pela prefeitura local, a novela tem mostrado as mais variadas artimanhas políticas, tanto de um lado quando do outro, para alcançar o poder. O fato, em ano eleitoral, pode ajudar os telespectadores a esclarecer muitas dúvidas sobre os bastidores da política nacional.

Divulgação
Gabreil Braga Nunes como Antônio Maciel
Gabreil Braga Nunes como Antônio Maciel
O autor da trama --única novela partida ao meio pela propaganda eleitoral gratuita-- diz que seu protagonista sofrerá do mesmo mal que acometeu o PT: o deslumbramento pelo poder. "É bem provável que o Antônio ganhe a prefeitura, mas como ele não tem base política, nem ideologia, o poder será um grande problema para ele", afirma Muniz.

Avesso ao maniqueísmo que tem tomado conta das novelas atuais, Lauro César Muniz não gosta de chamar seu personagem de herói. "Costumo dizer que ele é humano, e gosto disso. Por isso, o que acontece com o Antônio é que, apesar da boa índole, ele se fascina pelas facilidades que o poder lhe proporciona. Isso eu coloquei intencionalmente, inspirado nos fatos ocorridos com as grande lideranças do PT desde que chegaram ao poder. O Antônio abusará dele, e vai se dar mal com isso."

Mas não seria esta última afirmação também permeada de maniqueísmo? Muniz é categórico ao dizer que não.

"O que acontece é que o Antônio não tem a compreensão do que é o poder, por falta de ideologia [o personagem diz isso em cena] e de escolaridade. Ele aceita as facilidades que lhe oferecem por ser prefeito como se tudo fosse um mar de rosas. Os bancos lhe abrem os cofres e ele vai tomando empréstimos, mas não pensa que, em política, quando alguém oferece algo, é pensando no que pode ter em troca. Ele acha que é natural que lhe agradem porque ele tem poder. É muito parecido com o que ocorreu com o PT e com o Lula", diz Muniz.

Paralelismos

Esta é a segunda vez que Lauro César Muniz tem no ar uma novela em ano de campanha eleitoral. A primeira foi "O Salvador da Pátria", em 1989, cujo protagonista, Sassá Mutema, despertou a fúria tanto da esquerda quanto da direita.

"O Sassá foi identificado com o Lula, e a esquerda achava o personagem um bobalhão. Não esperaram a transformação dele. Já a direita achava que eu estava fazendo apologia ao Lula. O fato é que Antônio e Sassá têm a peculiaridade de terem sido manipulados em determinado momento. Não posso afirmar que Lula tenha sido igualmente manipulado, mas considero que ele tenha sido omisso."

Sobre a nova trama, o autor acredita que haja uma grande diferença entre Antônio Maciel e Lula. "O presidente tem base em suas origens e em sua história política, coisa que o Antônio não tem. Ele é um homem sem família, sem instrução, sem história. Talvez por isso o Lula esteja resistindo a todo esse escândalo, pois o povo ainda o apóia e, ao que parece, irá reelegê-lo."

E como já demonstrou em outras ocasiões, Muniz gosta de opinar sobre o contexto social e político do Brasil. "Não acho que ele [Lula] estivesse preparado para o poder, assim como meu personagem, mas se o povo pretende apoiá-lo, significa que aprendeu o valor do voto, e isso é um avanço", afirma.

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