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10/03/2010 - 11h03

OAB critica "despropósito" de Lula ao comparar dissidente cubano a bandidos de SP

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da Folha Online

O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, criticou nesta quarta-feira o "despropósito" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que condenou, na véspera, a greve de fome dos dissidentes cubanos e os comparou a bandidos de São Paulo.

"A comparação é despropositada, pois tenta banalizar um recurso extremo que é, ao mesmo tempo, um símbolo de resistência a um regime autoritário que não admite contestações", afirmou Ophir, em comunicado divulgado pela organização.

"Mais razoável seria se o governo brasileiro se preocupasse com as péssimas condições carcerárias a que [os presos de SP] estão submetidos", completou Ophir, acrescentando que o regime cubano é repudiado pela sociedade brasileira que, historicamente, fez uma opção pela democracia.

O presidente Lula pediu nesta terça-feira, em entrevista à agência de notícias Associated Press, respeito às decisões da Justiça cubana e condenou o uso da greve de fome por dissidentes como instrumento para serem libertados da prisão.

"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba. A greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade."

A declaração de Lula foi duramente criticada e vem dias depois da visita do presidente à ilha, em 24 de fevereiro, um dia depois da morte do preso político Orlando Zapata Tamayo em consequência de uma greve de fome de 85 dias.

Na época, Lula disse lamentar "profundamente" a morte de Zapata e negou ter recebido uma carta pedindo sua intervenção na libertação de presos políticos cubanos.

Os dissidentes esperavam que Lula aproveitasse a viagem para defender seus interesses nos encontros com o presidente Raúl Castro e o ex-ditador Fidel Castro. Lula preferiu não abordar a polêmica.

Nesta terça-feira, um grupo de dissidentes cubanos disse que a Embaixada do Brasil em Havana não enviou, por falta de assinaturas, a carta que eles tinham escrito e endereçado a Lula pedindo a interferência brasileira, citando a "credibilidade, liderança regional e interlocução privilegiada" do presidente com as autoridades cubanas.

Tirania

Um dos dissentes em greve de fome, o jornalista e psicólogo cubano Guillermo Fariñas, 48, foi duro nas críticas a Lula, a quem chamou de "cúmplice da tirania dos Castro".

No 15º dia de greve de fome, desidratado, Fariñas recebe visita de médicos do Estado e independentes, mas diz que só irá ao hospital quando perder a consciência. Havana diz que ele é responsável por sua sorte e que não aceitará chantagens.

"Com essa declaração o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra é seu comprometimento com a tirania dos Castro e seu desprezo com os presos políticos e seus familiares. A maioria do povo cubano se sente traída por um presidente que um dia foi um preso político", disse, em entrevista à repórter Flávia Marreiro, da Folha de S. Paulo (a íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

Fariñas disse ainda que a carta não era necessária para que Lula tomasse uma posição em favor dos dissidentes. "Ele sabia da situação de Zapata pela Embaixada do Brasil. Ele, como ex-preso político, poderia ter cancelado a visita", disse.

Com agências internacionais

 

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