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09/08/2006 - 08h36

Israel ataca campo de refugiados; Hizbollah lança cem foguetes

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da Folha Online

Aviões de Israel bombardearam na madrugada desta quarta-feira a região de Sidon, onde fica Ein Helue, o maior campo de refugiados palestinos localizado no Líbano. Uma pessoa morreu e ao menos oito ficaram feridas. Nesta quarta-feira, o grupo terrorista Hizbollah lançou cerca de cem foguetes contra o norte de Israel, sem deixar vítimas.

Esta é a primeira vez que Israel ataca um campo de refugiados controlado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em território libanês, desde o início do conflito, há quase um mês.

Cerca de 350 mil palestinos vivem em campos de refugiados em todo o Líbano. De acordo com Israel, o objetivo do ataque era um membro do Hizbollah que estaria escondido em Ein Helue.

Outro bombardeio, contra o vale do Bekaa --região onde há grande concentração de brasileiros--, matou um membro do Hizbollah, além de sua mulher e seus cinco filhos.

O estopim do conflito foi o seqüestro de dois soldados israelenses no último dia 12, levado a cabo pelo Hizbollah. A ação deixou ainda outros oito soldados e dois membros do Hizbollah mortos. Desde então, Israel ataca o Líbano por terra, ar e mar, deixando inúmeras cidades libanesas destruídas, sem luz, água e telefone.

O Hizbollah também lança dezenas de foguetes Katyusha contra o norte de Israel diariamente. Até o momento, a violência deixou um saldo de mais de mil mortos, 900 deles no Líbano.

A cidade de Sidon possui cerca de 150 mil habitantes, mas atualmente abriga outros 115 mil que fugiram de suas cidades para escapar dos bombardeios de Israel --além dos cerca de 75 mil palestinos que vivem no campo de refugiados de Ein Helue desde 1948 [refugiados de outra guerra entre árabes e israelenses].

O saldo desde a noite de ontem por bombardeios israelenses é de 14 civis mortos no Líbano. Segundo o Exército israelense, ao menos 30 membros do Hizbollah foram mortos ontem. Em combates por terra, cinco soldados israelenses morreram e 14 ficaram feridos.

Nesta quarta-feira, cerca de cem foguetes do Hizbollah atingiram cidades no norte de Israel, sem deixar vítimas. Cerca de 3.000 foguetes foram lançados contra o território israelense desde que os confrontos tiveram início.

Apesar da violência e da destruição registradas em cerca de um mês, Israel já anunciou que pretende ampliar ainda mais sua ação no Líbano, a fim de minar as possibilidades do Hizbollah. O objetivo de Israel é o de ocupar uma área de cerca de 30 km no sul do Líbano, onde fica o rio Litani [principal provedor de água à região], de onde são lançados a maioria de foguetes contra seu território.

Cerca de 10 mil soldados já ocupam parte do território libanês e travam sangrentas batalhas com membros do Hizbollah no sul do país --64 soldados israelenses já morreram nos conflitos.

Nesta segunda-feira (7), o governo libanês propôs o envio de 15 mil soldados ao sul do país a fim de garantir a segurança e evitar que membros do Hizbollah lancem foguetes contra o norte israelense. A proposta também exige a retirada imediata de cerca de 10 mil soldados israelenses que invadiram o Líbano.

Israel disse ter achado interessante a proposta libanesa de enviar 15 mil soldados ao sul país, e prometeu estudá-la. O Hizbollah também sinalizou positivamente. Apesar disso, ambos mantêm seus ataques.

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