Fragilidade das relações inspira romance da francesa Anna Gavalda

AMANDA LUZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Recém-abandonada pelo marido, Chloe sente-se devastada, na companhia das duas filhas pequenas, quando surge o lacônico e distante sogro, Pierre, para resgatá-las.

Ele as leva à casa de campo da família para um período de recolhimento que cria um vínculo improvável entre os dois e joga nova luz sobre a fragilidade das relações humanas.

Esse é o ponto de partida de "Eu a Amava", romance da francesa Anna Gavalda, que chega às bancas no domingo (14) pela Coleção Folha Mulheres na Literatura.

Enquanto as meninas se distraem entre tênis coloridos e desenhos animados, Chloe e Pierre trocam memórias e, aos poucos, o ressentimento dá lugar a novas emoções.

Ocupada preparando o jantar, a protagonista reflete: "Eu chorava, pensando de vez em quando nos meus espaguetes que iam ficar intragáveis se eu não fosse mexer".

Anna Gavalda - Eu a Amava (Vol. 23)
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Por meio de diálogos curtos que substituem a descrição, a narrativa de Anna Gavalda aprofunda uma reflexão sobre traição e afetos.

"Assim, sem perceber, somos fisgados pela escrita sem ornamentos da autora, pelo modo como ela, discretamente, tinge um retrato que poderia ser só cinza," escreve Cássio Starling Carlos, crítico da Folha, para a contracapa da edição.

Publicado em 2002, "Eu a Amava" é inspirado na separação da própria Anna Gavalda e é o primeiro romance da escritora nascida em 1970 e conhecida por seus contos.

Uma das autoras contemporâneas de maior sucesso na França, ela teve a novela "Ensemble, c'est Tout" ("Enfim, Juntos", no título em português) adaptada para o cinema, com a atriz Audrey Tautou no papel principal.

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