Acusado de abuso sexual, Harvey Weinstein se entrega à polícia em Nova York

Produtor chegou à delegacia ao lado de policiais e aparentemente mancando

Harvey Weinstein chega à delegacia em Nova York ao lado de policiais, segurando livros e com a cabeça baixa
Harvey Weinstein chega à delegacia em Nova York ao lado de policiais - Julio Cortez/Associated Press
São Paulo

Acusado de estupro e abuso sexual, o produtor Harvey Weinstein, 66, se entregou à polícia nova-iorquina na manhã desta sexta (25).

Ele responde por crimes cometidos contra duas mulheres. Uma delas, vítima de estupro, não foi identificada. A outra é a atriz Lucia Evans, que afirmou ter sido forçada por Weinstein a fazer sexo oral nele durante uma reunião profissional em 2004.

No depoimento à polícia, o executivo permaneceu em silêncio, e seus advogados concordaram que ele pagasse uma fiança de US$ 1 milhão (R$ 3,6 milhões) e usasse um equipamento de monitoramento eletrônico para poder responder em liberdade. Ele pagou a fiança e foi liberado.

Desde outubro do ano passado, quando o New York Times e a revista The New Yorker trouxeram à tona a acusação de várias atrizes contra o produtor —entre elas, Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow—, uma avalanche de novas acusações surgiram. Weinstein foi afastado de sua companhia e, de acordo com a Vanity Fair, teria procurado uma reabilitação sexual.

O caso do produtor deflagrou uma série de acusações em Hollywood e o surgimento de movimentos como o MeToo e o Times Up. Figura fácil em tapetes vermelhos, Weinstein também foi expulso da Academia do Oscar.

Em novembro de 2017, a polícia já reunia provas para prender Weinstein, após a atriz Paz de la Huerta acusá-lo de estuprá-la duas vezes. 

O produtor nega as acusações de sexo não consentido. 

Algemado, Weinstein foi conduzido às autoridades em meio aos cliques de fotógrafos e berros de repórteres. A cena, como notou o New York Times, foi “espelho” das passagens do produtor por tapetes vermelhos de festivais e premiações do cinema. Ele também carregava três livros, incluindo uma biografia de Elia Kazan, cineasta chamuscado por escândalos políticos.

Defensor de Weinstein, o advogado Benjamin Brafman disse aos repórteres do local que seu cliente irá buscar provar sua inocência. “Ele não inventou o teste do sofá em Hollywood”, disse. Acrescentou que os depoimentos das mulheres não serão levados em conta pelo júri, “isso se seus membros não forem contaminados pelo movimento”.  É uma referência ao MeToo. 

Em seu perfil numa rede social, a polícia de Nova York agradeceu as “corajosas sobreviventes por sua bravura em buscar justiça.” 

A notícia do depoimento de Weinstein também repercutiu entre celebridades do cinema.

A atriz italiana Asia Argento, que afirma ter sido estuprada pelo produtor durante o Festival de Cannes de 1997, tuitou que estava “grudada na tela” acompanhando a transmissão. “Será seu primeiro passo rumo à descida ao inferno.”

Já Rose McGowan, uma de suas mais famosas acusadoras, disse no programa de TV Megyn Kelly Today que teve uma “sensação boa” ao vê-lo sendo conduzido. Mas criticou o fato de ele ter caminhado como um “velhinho igual a Bill Cosby” (outro acusado de crimes sexuais). “Já sabemos o que está planejando.”

Weinstein também é investigado na Califórnia e na Inglaterra. Outros dos casos são mais antigos e prescreveram.

ASSÉDIO EM HOLLYWOOD

Confira a seguir um resumo sobre os principais casos de assédio sexual e estupro em Hollywood reportados recentemente.

Harvey Weinstein
No caso que foi o estopim para a avalanche de acusações em Hollywood, o outrora poderoso produtor de 66 anos é acusado de ter assediado e estuprado mulheres ao longo de três décadas. Entre as vítimas estão Angelina Jolie, Ashley Judd e Gwyneth Paltrow. Bob Weinstein, irmão de Harvey, também foi acusado de assédio.

James Toback
Segundo o "Los Angeles Times", mais de 30 mulheres denunciaram o diretor e roteirista de 72 anos de cometer assédio sexual. Autor da reportagem, Glenn Whipp disse ter sido contatado por 193 mulheres com acusações semelhantes contra Toback, autor do roteiro de filmes como "Bugsy" e "O Apostador".

Roman Polanski
Além de ter estuprado uma garota de 13 anos em 1977, o cineasta franco-polonês de 84 anos também é alvo de, pelo menos, outras quatro acusações contra mulheres menores de idade, entre elas a atriz Charlotte Lewis. Em Paris, uma retrospectiva de sua obra foi alvo de críticas por um grupo feminista.

Dustin Hoffman
O ator que tem hoje 80 anos é acusado de ter assediado sexualmente a escritora Anna Graham Hunter, então com 17 anos, no set do telefilme "A Morte de um Caixeiro-Viajante", em 1985. Ele teria falado de sexo para ela e a apalpado. Hoffman se desculpou e disse que aquilo não "reflete" quem ele é.

Brett Ratner
A atriz Natasha Henstridge diz ter sido forçada a fazer sexo oral no diretor de "A Hora do Rush" e "X-Men: O Confronto Final" nos anos 1990. Além dela, outras atrizes e modelos, como Olivia Munn e Jaime Ray Newman, também relatam casos semelhantes envolvendo ele. Rattner, 48, nega as acusações.

Ed Westwick
O ator conhecido por "Gossip Girl" foi acusado de estupro por Kristina Cohen e Aurélie Wynn. Ele nega. A polícia de Los Angeles abriu investigação sobre o primeiro caso. Com isso, a BBC suspendeu a exibição "Ordeal by Innocence". As gravações já iniciadas da segunda temporada de "White Gold", da Netflix, também foram suspensas.

Morgan Freeman
Uma assistente de produção acusou o ator de comportamento sexual abusivo durante as gravações de “Despedida em Grande Estilo” (2017). A assistente acusa o ator de ter colocado as costas das mãos em sua perna e diz que ele também teria tentado levantar sua saia. Segundo a CNN, outras acusações contra Freeman foram relatadas –16 pessoas foram ouvidas, oito das quais se disseram vítimas.

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