Descrição de chapéu

Versátil, Burt Reynolds foi mais do que tudo ator

Americano atuou também como diretor, produtor e até roteirista

Inácio Araujo

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Versátil, Burt Reynolds foi. O ator americano, que morreu nesta quinta-feira (6) aos 82 anos, fez desde 1958 os mais diversos tipos de papel em incontáveis séries para TV antes de conseguir o segundo papel masculino no faroeste “100 Rifles”, de Tom Gries.

É verdade que naquele tempo todos os olhos estavam voltados para Raquel Welch, mas que importa: o ladrão de bancos simpático já deixava lá sua marca na carreira de Reynolds. Isso foi em 1969. Ele tinha 33 anos. Antes houve uma passagem rápida pelo western spaghetti, em 1966, quando fez “Navajo Joe”, de Sergio Corbucci.

Mas foi só em “Amargo Pesadelo”, a bela aventura dirigida por John Boorman que seu tipo simpático, vulgar e atlético passaria a realmente chamar a atenção. Daí por diante trabalhou com diretores de projeção, como Robert Aldrich (o bom “Golpe Baixo”, de 1974, entre outros) ou Peter Bogdanovich (“No Mundo do Cinema”, 1976).

Capaz de transitar do cinismo ao heroísmo, Burt acabaria popular mesmo pelos dois frenéticos filmes de perseguição em que com seu caminhão em punho desafiava os agentes da lei (“Agarra-me se Puderes” e “Desta Vez Te Agarro”, de 1977 e 1980). Podem não ser grandes filmes, mas são a cara de Burt: um cara de bem com a vida, mesmo quando tudo está contra ele.

O destino de Burt Reynolds parecia ser fazer filmes menores de bons diretores (como o “Ladrão por Excelência”, de Don Siegel) e destacar-se em trabalhos apenas convencionais, em que a aventura dava o tom, casos de “Hooper, o Homem das  Mil Façanhas” (1978), em que interpreta um dublê, e “Quem Não Corre Voa” (1981), em que a velocidade novamente dá o tom (ambos os filmes devem-se a Hal Needhan (ele mesmo um famoso “stuntman”).

 Entre altos e baixos, Reynolds tinha uma carreira consolidada até que em 1997 o “Boogie Nights”, de Paul Thomas Anderson, o elevasse a candidato ao Oscar de melhor ator coadjuvante como o diretor de filmes pornográficos da década de 1970. Tivesse ganho. Ninguém diria que foi injusto: foi um desses casos de ator que renasce na maturidade para dar o melhor de si.

Dali por diante, o ator viveu mais de sua fama, e não por acaso o filme em que mais se destacou neste século talvez seja o “remake” de “Golpe Baixo” feito em 2005. Agora ele não era mais o jogador de futebol americano, mas o técnico, num filme bem inferior ao original.

Por vezes também diretor, produtor e até roteirista, o versátil Reynolds foi mais do que tudo um ator: eficaz canastrão, quase sempre, mas capaz também de momentos memoráveis.

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