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Cinema

Enredo de comédia com Luana Piovani é inferior ao de uma telenovela

O ritmo de 'A Mulher do Meu Marido' é lento e os personagens são antiquados

Thales de Menezes

A Mulher do Meu Marido

  • Quando Estreia na quinta (29)
  • Elenco Luana Piovani, Paulo Tiefenthaler, Maria Clara Gueiros
  • Produção Brasil, 2019
  • Direção Marcelo Santiago

O maior desafio de qualquer comédia romântica produzida no cinema brasileiro é escapar das semelhanças com as telenovelas. Afinal, por que o espectador sairia de casa, pagaria ingresso e assistiria por duas horas a algo que ele tem disponível da TV da sala?

"A Mulher do Meu Marido" não consegue superar a concorrência. Previsível no enredo, ginasiano nos diálogos, exibe na tela durante mais de uma hora e meia os desdobramentos de uma comédia sobre casais e traição. Mas não provoca risos.

Não há o mínimo sinal de modernidade no filme do diretor Marcelo Santiago. O ritmo é lento, as cenas são intercaladas por insistentes imagens aéreas do Rio de Janeiro, os personagens são antiquados. Suas preocupações, mais antiquadas ainda.

Joana (Luana Piovani) é uma dondoca que descobre a traição do marido, o ginecologista Pedro (Paulo Tiefenthaler). Mas não conta a ele. Percebe que o caso extraconjugal está fazendo muito bem ao marido, antes deprimido e agora bem mais agradável no dia a dia.

Para dar o troco, Joana sai à noite na companhia de um personagem mais do que clichê, a amiga encalhada Carla (Maria Clara Gueiros), na busca de diversão. Ela vai encontrar alguma ao lado de Martín (Francisco Andrade), argentino jovem e bonitão. Casado, ele esconde sua aventura da mulher, a também argentina Pilar (Aylin Prandi).

A vida parece seguir normalmente nessa troca de traições, mas logo duas coisas vão atrapalhar essa harmonia. A filha adolescente de Joana descobre o caso do pai e não compartilha da benevolência da mãe. Passa a perseguir Pedro para revelar a existência da outra na vida do pai, enquanto Joana tem outra coisa para se preocupar: descobre que Pilar, mulher de seu amante, é a amante de seu marido.

São coincidências demais para manter um roteiro que possa ser levado a sério. A trama, esquemática demais, não proporciona nenhuma surpresa. Somando a isso o desempenho rasteiro do elenco, que não tem tanta culpa com o roteiro de obviedades que tem nas mãos, não há nada para o filme oferecer.

Parece que a produção abraçou uma proposta de ser um programa "família". Sem nudez, palavrões ou piadas apelativas, tenta ser uma diversão "pra cima". Mas confunde brejeirice com humor anódino.

Talvez o filme tenha um caminho melhor nas exibições por streaming, numa opção mais descompromissada para ser vista no sofá de casa. Mas encarar "A Mulher do Meu Marido" como legítimo evento cinematográfico é exigir muito de um espectador que tem entretenimento mais caprichado numa telenovela vespertina.

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