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'Minha vida foi bem vivida', disse Sant'Anna em sua última entrevista à Folha

Escritor morreu neste domingo (10), aos 78 anos, em decorrência da Covid-19

São Paulo

Ao comemorar 50 anos de carreira, em setembro de 2019, o escritor Sérgio Sant'Anna viu o relançamento de "Amazona", sua obra de 1986 que estava esgotada nas livrarias. Na ocasião, ele falou à Folha, naquela que foi a sua última entrevista ao jornal.

O autor morreu na madrugada deste domingo (10), aos 78 anos, em decorrência da Covid-19.

"A essa altura da vida, tem um negócio bem legal, que é ver que o trabalho foi realizado. Há certa melancolia com a passagem do tempo. Mas seria muito pior se eu não tivesse feito nada. Minha vida foi bem vivida", disse Sant'Anna ao repórter Ivan Finotti, em seu apartamento no Rio de Janeiro.

Na ocasião, o escritor afirmou que não celebrou o cinquentenário de sua carreira. “Não fiz nada, não, fiquei na minha”, disse.

Sant'Anna afirmou que sua criatividade estava "a mil" e que já tinha 50 páginas do rascunho de uma novela, além de outra pronta e alguns contos escritos. Um deles foi publicado no fim de abril, na Ilustríssima.

“Antes eu era extremamente ansioso. Agora procuro curtir, acho que está mais prazeroso escrever. Me dei conta de que não precisava mais me apressar. A qualidade de vida agora está sendo um fator muito importante”, disse em sua última entrevista.

Na época, falou também que havia deixado de escrever a mão para começar a usar o computador.

“Não sei por que perdi tanto tempo para mudar. É muito mais cômodo, meu trabalho foi reduzido pela metade. E ainda corrige uns errinhos... Às vezes ele não reconhece algumas palavras difíceis, mas aí eu ignoro as correções e vou em frente.”

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