New York Times e New Yorker dividem Pulitzer por denúncias de assédio sexual

Reportagens sobre crimes sexuais em Hollywood e na imprensa dos EUA fomentaram movimento #MeToo

Rafael Gregorio
São Paulo

O jornal The New York Times e a revista The New Yorker venceram juntos o principal prêmio Pulitzer pelas denúncias de assédio sexual e estupro contra figurões norte-americanos, como o produtor de cinema Harvey Weinstein.

Em sua edição 2018, o Pulitzer premiou na categoria “serviço público” uma série de reportagens do jornal e da revista sobre relatos de assédio sexual e até estupro contra nomes fortes da imprensa e do cinema.

Entre as principais acusações, a premiação destacou reportagem do jornal sobre Bill O’Reilly, ex-âncora da Fox News, e as reportagens do jornal e da revista sobre Weinstein, até então um poderosíssimo produtor de Hollywood, responsável por filmes como “Pulp Fiction”.

As reportagens fomentaram onda de denúncias que, ao fim de 2017, desaguaram no movimento #MeToo (#eutambém), que, por sua vez, motivou inúmeras mulheres em todo o mundo a relatarem episódios de abuso em seus ambientes de trabalho.

Mais reportagens foram premiadas em outras categorias.

A Redação do jornal The Press-Democrat, em Santa Rosa, na Califórnia, foi premiada na categoria “notícias urgentes” pela cobertura em texto, vídeo e fotografia dos incêndios florestais que atingiram a região em 2017.

Já a Redação do The Washington Post foi premiada na categoria “reportagem investigativa” graças aos trabalhos de uma equipe de dez jornalistas que revelaram histórico de abusos sexuais do republicano Roy Moore contra garotas adolescentes.

Candidato republicano ao Senado pelo Estado do Alabama, ele desistiu da disputa após as revelações —não sem antes tentar intimidar e ameaçar profissionais do jornal.

Carro atinge pessoas em protesto contra supremacistas em Charlottesville, Virgínia (EUA), em registro de Ryan Kelly premiado na categoria Fotografia do Pulitzer 2018
Carro atinge pessoas em protesto contra supremacistas em Charlottesville, Virgínia (EUA), em registro de Ryan Kelly premiado na categoria Fotografia do Pulitzer 2018 - Ryan M. Kelly, The Daily Progress - 12.ago.2017/Reuters

Já o prêmio para melhor fotografia foi conferido a Ryan Kelly, do jornal The Daily Progress. Ele clicou o momento em que um carro atropelou pessoas em Charlottesville, na Virgínia, EUA, em protesto contra um ato, dias antes, de supremacistas raciais.

Chamada de “arrepiante”, a imagem foi creditada pelo júri aos “reflexos e à concentração” do profissional.

The New York Times e The Washington Post dividiram ainda um prêmio na categoria “reportagem nacional”, por reportagens sobre a extensão e os efeitos da influência russa sobre as eleições norte-americanas de 2016.

Criado em 1917 sob doações do magnata de imprensa húngaro-americano Joseph Pulitzer (1847-1911), o Pulitzer destaca anualmente coberturas da imprensa em língua inglesa nos Estados Unidos.

São reconhecidos trabalhos em 21 categorias, todos com prêmios em dinheiro de US$ 15 mil (R$ 51,3 mil), à exceção do prêmio principal de “serviço público”, que confere aos laureados uma medalha de ouro.

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