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Metade dos latino-americanos não apoiam a democracia

Queda de quase cinco pontos percentuais ante o resultado de 2017 representa a pior marca para a democracia desde 2010

Pablo Vicente

O respaldo à democracia está caindo mais acentuadamente e, com um índice de apoio de apenas 48%, mais de metade dos latino-americanos já rechaçam a situação atual desse modelo. É isso que afirmam os dados apresentados pelo estudo anual da Latinobarómetro, que se baseia em entrevistas com 20 mil latino-americanos, em 18 países.

A queda de quase cinco pontos percentuais ante o resultado do ano passado representa a pior marca para a democracia desde 2010, quando o índice de apoio à democracia atingiu seu resultado mais elevado, 61%.

Os números confirmam o desencanto dos latino-americanos com a saúde de suas democracias e colocam em xeque o sistema democrático existente na América Latina. Como responder a essa crise democrática é uma das interrogações que temos de nos propor para mudar uma realidade que pode sucumbir em forma de processos políticos vindos do passado.

Urna eletrônica
Urna eletrônica utilizada nas eleições brasileiras - Pedro Ladeira - 19.set.208/Folhapress

O estudo da Latinobarómetro destaca, além disso, que, pela primeira vez desde que a pesquisa começou a ser realizada, 28% dos entrevistados se declararam indiferentes em termos de preferência por uma forma de governo. Quase 6 de cada 10 pessoas consultadas sinalizaram que não votariam em qualquer partido político, o que prova a fragilidade da democracia.

Isso é causa de preocupação, já que não há como conceber uma democracia sem partidos políticos, e a legitimação das siglas sempre surge de processos eleitorais, para os quais a cidadania desempenha papel fundamental na hora de eleger quem representará o povo. Assim, o fato de que 6 em cada 10 pessoas se sintam indiferentes constitui um desafio fundamental para os partidos, que precisam conquistar a confiança dos cidadãos.

Mas a situação é ainda mais preocupante, porque a indiferença se acentua entre os jovens dos 16 aos 26 anos, o que significa que as pessoas que representam essa faixa geracional demonstram indiferença cada vez maior diante do sistema político. Isso é evidentemente um sinal de alerta, dadas as consequências que poderia ter no futuro. Por isso, é necessário estabelecer uma estratégia política a fim de motivar a juventude a participar da política, e para isso os partidos políticos precisam criar condições para a participação efetiva dos jovens.

O estudo aponta que o apoio à democracia na região vem caindo há cinco anos, e que apenas 53% dos cidadãos entrevistados se declaram partidários dessa forma de governo. Assim, a atual crise de confiança está começando a erodir a legitimidade dos governos, cujos níveis de aprovação –salvo algumas exceções– andam especialmente baixos.

O estudo aponta que jamais havia surgido uma percepção tão forte de retrocesso, com os problemas econômicos (35%), crime (19%), situação política e corrupção (9%) como principais fatores. Isso demonstra que certas políticas públicas que têm como objetivo solucionar os grandes males que afetam a nossa região ainda estão pendentes. E a identificação desses males, que tem a ver com a desigualdade e a distribuição de riqueza, é perceptível no avanço, de 61% para 79% entre 2006 e 2018, da percepção de que em nossa região os países são governados "em benefícios de alguns poucos grupos poderosos".

Quanto a isso, fica claro que a queda na credibilidade dos governos e dos partidos políticos é sem dúvida o principal desafio à democracia. Assim, os governos devem implementar políticas que satisfaçam as necessidades de seus cidadãos, para que estes voltem a confiar nas instituições democráticas.

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Tradução de PAULO MIGLIACCI

Latino América 21
Pablo Vicente

Pablo Vicente é advogado e gestor social e presidente da Fundación Justicia y Desarrollo Local (Fujudel) e da Red Latinoamericana para el Desarrollo Democrático (Redladd) fujudel@gmail.com, @pablo_vicente

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