Kim Jong-un diz estar pronto para reencontrar Trump, mas pede fim de sanções

Em mensagem de Ano-Novo, ditador da Coreia do Norte sugeriu que deixará de produzir armas nucleares

Seul | Reuters

O ditador norte-coreano Kim Jong-un disse nesta terça-feira (1º) que está pronto para encontrar o presidente americano Donald Trump e cumprir o objetivo de desnuclearizar a península da Coreia. 

O ditador da Coreia do Norte Kim Jong-un apresenta sua mensagem de Ano-Novo
O ditador da Coreia do Norte Kim Jong-un faz discurso de Ano-Novo - KCNA/KNS/AFP

Ele advertiu, entretanto, que pode ter de seguir um caminho alternativo se sanções e pressões dos EUA continuarem.

Em discurso de Ano-Novo, Kim disse que a desnuclearização é sua “firme vontade” e sugeriu pela primeira vez que a Coreia do Norte deixará de produzir armas nucleares, mas também pediu que Washington tome medidas correspondentes para acelerar o processo.

Não houve reação imediata do Departamento de Estado dos EUA, mas o gabinete presidencial da Coreia do Sul recebeu bem o discurso de Kim, dizendo que ele mostrou “vontade firme” de melhorar relações com Seul e Washington.

Kim e Trump prometeram trabalhar em prol da desnuclearização e construir uma paz “duradoura e estável” durante o encontro histórico entre eles em Singapura em junho de 2018, mas pouco progresso foi feito desde então.

Pyongyang exigiu que Washington suspenda as sanções e declare um fim oficial à Guerra da Coreia (1950-53) em resposta aos seus primeiros passos, unilaterais, em direção à desnuclearização —incluindo o desmantelamento de seu único local conhecido de testes nucleares e de uma importante instalação de mísseis.

Essas medidas estariam de acordo com sua determinação de “não mais fabricar, usar ou alastrar” armas nucleares, disse Kim, indicando uma possível moratória sobre a produção de armas pela primeira vez. 

Embora Pyongyang não tenha realizado testes nucleares ou de mísseis no ano passado, imagens de satélite indicaram que algumas instalações continuaram em atividade.

Autoridades norte-americanas dizem que as medidas iniciais não foram confirmadas e podem ser facilmente revertidas, e pediram a aplicação rigorosa de sanções ao país até o total e verificável desarmamento nuclear.

Washington suspendeu alguns exercícios militares em grande escala com Seul para ajudar nas negociações nucleares, mas os exercícios menores continuaram.

Kim pediu que a Coreia do Sul “pare completamente” os exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos.

As duas Coreias tecnicamente permanecem em guerra porque o conflito terminou em uma trégua —assinada por Coreia do Norte, Estados Unidos e China— e não um tratado de paz.

“Agora que Coreia do Norte e do Sul decidiram seguir o caminho da paz e prosperidade, exigimos que os exercícios militares conjuntos com forças externas não sejam mais permitidos e que a implantação de equipamentos de guerra como ativos estrangeiros estratégicos seja completamente interrompida”, disse Kim.

Analistas acreditam que a mensagem de Kim tenha enviado sinais claros de que a Coreia do Norte está disposta a permanecer em negociações com Washington e Seul este ano —mas em seus próprios termos.

Erramos: o texto foi alterado

A palavra "sanções" foi grafada incorretamente como "sansões" em versão anterior deste texto. O texto foi corrigido.

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